A vereadora natalense Brisa Bracchi (PT) enviou à CPI da Covid, atualmente em curso no Senado Federal, a documentação do procedimento investigatório aberto pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) que apura o uso de verbas federais por parte da Prefeitura do Natal para a compra de comprimidos de ivermectina. Mesmo sem comprovação científica, o medicamento ainda é utilizado nas ações de enfrentamento à Covid-19 da capital potiguar.

“Nosso mandato enviou via ofício à CPI da Covid a investigação aberta pelo TCE/RN, a partir de uma denúncia que fizemos, contra a Prefeitura de Natal/RN pelos gastos de dezenas de milhares de reais com a ivermectina. Estamos à disposição para colaborar no que for necessário”, escreveu vereadora.

A Ivermectina é um fármaco usado no tratamento de vários tipos de infestações por parasitas – como infestação de piolhos, por exemplo. No entanto, a Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS)  confirma uso de verbas federais para a aquisição de lotes da ivermectina para o tratamento precoce contra o coronavírus pela rede de saúde da capital potiguar.

O documento obtido pelo NOVO, com assinatura do secretário de saúde de Natal, George Antunes, foi enviado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) no dia 27 de maio. O ofício mostra que governo municipal utilizou verbas federais para comprar 100 mil comprimidos do fármaco.

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A ivermectina é defendida pelo prefeito de Natal, Álvaro Dias, no tratamento precoce contra o coronavírus. O medicamento faz parte do “Kit Covid”, que também traz hidroxicloroquina, azitromicina e flutamida. Os medicamentos são prescritos por médicos da rede pública municipal para pacientes acometidos pela Covid-19 ou que apresentem sintomas da doença.

“A defesa da vida, da justiça social e do combate à pandemia através dos marcos da ciência são os valores que nos norteiam. Não poderíamos nos abster nesse momento tão duro da história do mundo e do nosso país”, ressaltou a vereadora Brisa Bracchi, na mensagem enviada à CPI da Covid.

Em 21 de maio. os gastos da Prefeitura do Natal com o medicamento antiparasitário entraram na mira do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte.

O órgão fiscal incluiu a demanda no plano de fiscalização anual para investigar a origem do dinheiro (federal ou tesouro municipal) que subsidiou a compra do remédio.

Além disso, o órgão vai apurar ainda a finalidade do uso do medicamento: se empregado como parasitário, conforme orienta a bula, ou como tratamento da Covid-19, para o qual não tem eficácia científica comprovada.

Procurada pela reportagem do NOVO, a Prefeitura do Natal diz que não vai se pronunciar sobre o assunto.