Marcelo Queiroz, presidente do Sistema Fecomércio RN, Sesc e Senac – Foto: Carlos Azevedo/NOVO

Na semana que marcou o dia do Comerciante, o presidente do Sistema Fecomércio, Sesc e Senac, Marcelo Queiroz, falou sobre os desafios do setor nos últimos meses, da sua atuação como líder do setor que representa 75% do PIB do RN e sobre a perspectiva de recuperação da economia. Veja abaixo os principais trechos da entrevista exclusiva cedida por ele ao NOVO Notícias.

Depois de 16 meses de pandemia, com todas as restrições impostas à atividade econômica, a força de resistência dos comerciantes é o que mais se pode comemorar nesse momento?

Vivemos meses extremamente difíceis. Além do impacto na economia, em alguma medida, todos nós enfrentamos perdas e dificuldades no âmbito familiar ou emocional. Tem sido necessário muita resiliência e criatividade. Por isso, eu não usaria o termo “comemorar”, diria que, neste momento, o que mais podemos reconhecer e homenagear é a capacidade de adaptação da nossa classe empreendedora, que está se reinventando e buscando formas de seguir com seus negócios. Temos uma classe de empresários e trabalhadores aguerridos e inovadores, que estão focados na recuperação dos seus negócios e dos empregos.

Como foram as ações da Fecomércio, junto aos setores que a entidade representa, no decorrer da pandemia?

Desde o início da pandemia, a Fecomércio RN atuou de forma proativa, buscando construir protocolos, articular a reabertura das atividades, promover a capacitação dos empresários e trabalhadores, a conscientização da população e ações de suporte social.

Para o Turismo, em especial, os resultados são significativos. Estamos desenvolvendo, em parceria com a Emprotur, um Sistema de Inteligência Turística para o estado, o Sírio. Esta ferramenta já tem dados diversos que permitirão ao RN planejar suas ações de forma estratégica para obtenção de resultados mais assertivos neste processo de retomada.

Temos sido propositivos na construção de soluções para o setor, como o Plano de Retomada do Turismo, que foi elaborado por nossa equipe técnica do Senac, em parceria com a Setur e representantes do trade. Neste plano, incluímos a capacitação da gratuita de profissionais do turismo na área de biossegurança, que já atendeu mais de duas mil pessoas.

Essa ação permitiu ao Rio Grande do Norte a conquista do selo internacional “Viagem Segura”, criado pelo Conselho Mundial de Viagens e Turismo e que tem o respaldo da Organização Mundial do Turismo. Fomos o primeiro estado brasileiro a obter essa certificação, o que deixa o turista mais tranquilo na hora de optar pelo nosso estado como destino.

Outro destaque foi o Plano de Retomada do Setor de Eventos, elaborado de forma participativa, com a colaboração de empreendedores do segmento e que está em fase de desdobramento atualmente.

Também realizamos projetos voltados à transformação digital das empresas, permitindo que pequenos e médios comerciantes conseguissem manter suas vendas, mesmo em meio ao período mais crítico de isolamento social. Atuamos para proporcionar capacitação em temas sensíveis como biossegurança, controle de custos, negociação, vendas, dentre outros. Para se ter uma ideia, as iniciativas nesse sentido realizadas gratuitamente pelo Sistema Fecomércio beneficiaram mais de 10 mil pessoas aqui no estado.

Até que ponto surtiu efeito positivo a articulação que o senhor coordenou entre os federados e o poder público para enfrentar as dificuldades do momento?

Tivemos muito trabalho na busca pelo melhor equilíbrio diante de decisões tão críticas que precisavam ser tomadas. Desde o início, entendemos a gravidade da pandemia e a necessidade de medidas de controle, mas também defendemos que era preciso buscar meios de conviver com a doença, com responsabilidade e segurança, respeitando a vida como bem maior e buscando proteger os empregos e as empresas do nosso estado. De forma geral, entendo que nossa postura propositiva e aberta ao diálogo, trouxe resultados diretos para os segmentos que representamos.

Com a inflação desacelerando e a diminuição das perdas do setor turístico, como o senhor acredita que será a recuperação da atividade econômica no segundo semestre de 2021?

Sou otimista e aposto num crescimento geral de vendas este ano que deve ficar entre 5% e 10% sobre 2020. Lembro que fechamos o ano passado com queda de 4,2%, ou seja, nossa expectativa é recuperar isso e ainda crescer até 5% a mais. Embaso esta minha expectativa positiva na confiança que tenho em pelo menos quatro datas fortes que teremos neste segundo semestre: Dia dos Pais, Liquida Natal, Black Friday e Natal. Isso sem falar no Dia da Crianças, que sempre traz um incremento.

Outra boa notícia é de que, no turismo, já temos percebido aquecimento, que impacta toda uma cadeia produtiva. Por exemplo, as previsões são de que, agora em julho, teremos praticamente a mesma malha aérea que tivemos em julho de 2019. Serão mais de 1.500 voos vindos de sete estados brasileiros. No total, são quase 260 mil assentos já vendidos. Estes números nos trazem um certo alento e geram algum otimismo para este segundo semestre, na esteira do maior contingente de vacinados e da retomada de eventos no estado.

O senhor acredita em uma rápida recuperação do turismo e do setor de bares e restaurantes com a retomada dos eventos?

Acredito que a estrada da recuperação será longa e demandará ações estruturadas, mas também entendo que já iniciamos os primeiros passos. A grande expectativa para este ano é conseguirmos recuperar os níveis que tivemos em 2019 para iniciar o processo de reequilíbrio das nossas empresas.