Aluísio Farias Batista é condenado por ter matado 19 pessoas atropeladas no carnaval em Natal — Foto: Arquivo
Aluísio Farias Batista, de 69 anos, foi condenado a 21 anos de reclusão pelos crimes relacionados ao caso conhecido como “Tragédia do Baldo”, um dos episódios mais marcantes da história do Rio Grande do Norte
Publicado 27 de junho de 2026 às 10:57
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte, em ação conjunta com a Polícia Civil do Estado de Mato Grosso, cumpriu, nesta sexta-feira (26), um mandado de prisão definitiva contra Aluísio Farias Batista, de 69 anos, condenado a 21 anos de reclusão pelos crimes relacionados ao caso conhecido como “Tragédia do Baldo”, um dos episódios mais marcantes da história do Rio Grande do Norte.
A captura foi realizada no âmbito da “Operação Resgate”, após um trabalho investigativo que possibilitou a localização do foragido no estado de Mato Grosso, onde ele vivia há décadas.
O fato ocorreu na madrugada de 25 de fevereiro de 1984, durante o período carnavalesco em Natal. A ocorrência resultou na morte de 19 pessoas e deixou outras 12 gravemente feridas. Após o ocorrido, o motorista fugiu e permaneceu foragido por mais de quatro décadas.

As diligências para localização do condenado tiveram início a partir da única fotografia disponível dele, registrada no ano do crime. Durante as investigações, os policiais identificaram que o pai do foragido havia falecido em Tangará da Serra (MT), em 2021, informação que contribuiu para o intercâmbio de dados entre as forças policiais dos dois estados. Durante Investigação Documental,
foi constatado que, no ano de 1995, o investigado chegou a emitir um documento de identidade utilizando seus dados verdadeiros e originais no estado de Mato Grosso. Posteriormente, no ano de 1996, um indivíduo faleceu em Natal (RN), e o condenado passou a utilizar os dados dessa pessoa falecida.
O momento exato em que ele começou a fazer uso dessa identidade falsa ainda não foi precisado, e o fato ainda será investigado pela Polícia Civil. No entanto, as investigações afirmam com segurança que, no ano de 2021, ele utilizou o RG vinculado à pessoa falecida em 1996 para renovar sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e continuar exercendo atividades profissionais como motorista.
A verdadeira identidade foi confirmada por meio do cruzamento de informações cadastrais, análises documentais e procedimentos de comparação facial realizados pelas equipes de investigação.
Após a confirmação da identificação, a equipe de policiais foi inicialmente ao local de trabalho do condenado, mas ele não estava presente. Posteriormente, em ato contínuo, os policiais se dirigiram à residência dele. No local, ele apresentou inicialmente o seu nome falso, mas, depois que a equipe demonstrou que já sabia a sua real identidade, ele acabou confessando e dizendo seu nome verdadeiro.
O homem foi conduzido à unidade policial para os procedimentos cabíveis e, posteriormente, encaminhado ao sistema prisional para o cumprimento da pena definitiva de 21 anos de reclusão, em regime fechado.
A ação reforça o compromisso da Polícia Civil do Rio Grande do Norte com a responsabilização criminal, a preservação da memória das vítimas e a busca permanente pela Justiça, independentemente do tempo decorrido desde a prática do crime.
Tragédia do Baldo: Relembre o atropelamento que matou 19 foliões em Natal
A “Tragédia do Baldo”, um dos episódios mais violentos da história de Natal, ocorreu na madrugada de 25 de fevereiro de 1984. O motorista de ônibus Aluízio Farias Batista atropelou e matou 19 pessoas, além de ferir gravemente outras 12, após invadir propositalmente o trajeto do bloco carnavalesco Puxa Saco.
De acordo com os autos do processo e depoimentos da época, o crime foi motivado pela insatisfação do motorista com a determinação da empresa para realizar uma viagem extra no turno. Batista deveria transportar integrantes de uma escola de samba entre os bairros Alecrim e Rocas. Em sinal de revolta, ele conduziu o veículo em alta velocidade e ignorou semáforos antes de atingir a multidão de aproximadamente 5 mil foliões na Avenida Rio Branco.
Antes de atingir o bloco, o ônibus colidiu com um Fusca estacionado e, em seguida, invadiu a pista contrária, atingindo diretamente músicos militares e participantes do evento. Após o atropelamento em massa, Aluízio Farias Batista abandonou o veículo e fugiu do local.
Embora tenha comparecido à delegacia para prestar depoimento inicial, o motorista fugiu novamente antes de ser recolhido ao sistema prisional e nunca mais foi localizado pelas forças de segurança. Ele permanece na condição de foragido desde o dia do crime.
A Justiça expediu um mandado de prisão contra o autor, que segue em vigor, com validade até 2029. Assim, 42 anos depois, equipes da Polícia Civil do Rio Grande do Norte, em ação conjunta com a Polícia Civil do Estado de Mato Grosso, cumpriram na sexta-feira (26) mandado de prisão definitiva contra Aluísio Farias Batista.
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