Marco Rubio diz que Flávio Bolsonaro ofereceu "equipe de transição" aos EUA após as eleições
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, enviou uma carta ao senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na qual nega o pedido de recuo nas tarifas comerciais impostas ao Brasil. No documento, divulgado nesta sexta-feira (26), Rubio registra que o parlamentar brasileiro ofereceu a disponibilidade de uma “equipe de transição” ao governo norte-americano, caso seja eleito.
Na correspondência, o secretário agradeceu a visita de Flávio Bolsonaro a Washington e o apoio do senador à designação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras perante a legislação dos EUA. Contudo, Rubio afirmou que a Representação de Comércio dos Estados Unidos mantém as sanções devido a práticas brasileiras consideradas “injustificáveis ou discriminatórias” em setores como comércio digital, serviços de pagamentos, proteção à propriedade intelectual e desmatamento.
O governo norte-americano sugeriu que eventuais reclamações sobre as tarifas sejam enviadas formalmente para uma audiência pública da Representação de Comércio (USTR), agendada para o início de julho. Flávio Bolsonaro protocolou o pedido de participação no certame no dia 23 de junho.
Em resposta às movimentações, o Itamaraty publicou nota em redes sociais classificando a conduta como “traição à pátria”. O órgão ministerial afirmou que o “tarifaço” tem origem em tentativas de interferência externa na justiça brasileira e que o governo atua por canais diretos para esclarecer as práticas comerciais do país.
O cenário político coincide com o agravamento de tensões no núcleo familiar do ex-presidente. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e Fernanda Bolsonaro, esposa do senador, trocaram publicações em redes sociais utilizando versículos bíblicos sobre mentiras e discórdias entre irmãos.
A legislação brasileira, por meio de lei e decreto de 2002, regulamenta a formação de equipes de transição apenas entre o governo em exercício e o eleito para a sucessão nacional. A norma prevê a criação de 50 cargos comissionados para a coleta de dados da administração pública federal, sem amparo jurídico para a interlocução de transição com governos estrangeiros.
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