Discussão sobre a redução da carga horária semanal tenta derrubar modelo que garante apenas uma folga na semana. | Foto: Reprodução
Advogado trabalhista aponta que o atual modelo de trabalho provoca esgotamento físico, afetando principalmente as mulheres que enfrentam dupla jornada no comércio e serviços
Publicado 20 de maio de 2026 às 16:30
O debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1 — em que o trabalhador atua por seis dias e tem apenas um de folga — ganhou tração nacional impulsionado pelo esgotamento físico e mental da força de trabalho. A avaliação é do advogado trabalhista e assessor jurídico da CUT, José Eymard Loguercio, que aponta a exaustão extrema como o principal combustível para a pressão popular por mudanças na lei.
Segundo o especialista, o desgaste atinge de forma severa os trabalhadores dos setores de comércio e serviços, que historicamente cumprem as jornadas mais rígidas. Loguercio destaca que as mulheres são as maiores vítimas do modelo 6×1, enfrentando barreiras severas para conciliar o emprego com a rotina familiar, os cuidados domésticos e o direito básico ao descanso.
“O tema ganhou uma grande proporção a partir dessa referência de exaustão”, afirmou o advogado. A redução da jornada para, no máximo, 40 horas semanais é uma bandeira que se arrasta desde a Constituinte de 1988, quando o limite brasileiro caiu de 48 para 44 horas. Quase quatro décadas depois, defensores da proposta alegam que o avanço tecnológico justifica uma revisão urgente.
Siga o canal do NOVO Notícias no WhatsApp: https://bit.ly/4dfeuXt
Conforme dados compilados por órgãos como o Dieese, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Unicamp, a redução da carga horária não destrói a produtividade das empresas. Pelo contrário: estudos associam jornadas menores à queda brusca nos índices de absenteísmo (faltas ao trabalho) e ao número de afastamentos médicos por problemas de saúde mental, como o Burnout.
No cenário internacional, países da Europa como França, Bélgica e Holanda já operam com limites bem inferiores a 40 horas semanais. Na América Latina, nações como Chile, Colômbia e México também já aprovaram ou discutem legislações para aplicar a redução gradual do tempo de serviço.
Atualmente, algumas empresas brasileiras no ramo do varejo e da gastronomia já adotam a escala 5×2 (cinco dias de trabalho por dois de descanso) por iniciativa própria, relatando melhora no ambiente corporativo. O movimento sindical, no entanto, pressiona para que a redução vire lei federal, unificando a proteção ao trabalhador.
Receba notícias em primeira mão pelo Whatsapp
Assine nosso canal no Telegram
Siga o NOVO no Instagram
Siga o NOVO no Twitter
Acompanhe o NOVO no Facebook
Acompanhe o NOVO Notícias no Google Notícias