COLUNA LONGE DE SERENO – POR ÉLIDA MERCÊS

SUAS ESCOLHAS FAZEM VOCÊ!

Você já deve ter ouvido falar que o comportamento humano é o resultado da interação entre o caráter, de responsabilidade individual, e a cultura, modelada pela construção coletiva. O importante aqui é que esses três elementos são escolhidos por nós, não são determinados, além de explicarem os caminhos que trilhamos todos os dias.

Ao observar a conduta das pessoas que nos cercam, as categorizamos como pessoas de bom caráter ou nem tanto assim, em uma referência ao conjunto de virtudes que observamos nelas, sendo essas entendidas como as qualidades positivas que consideramos fazer bem para a coletividade, como honestidade e gentileza.

Esse é um exercício que deveria começar conosco mesmo, afinal de contas, eu sou a única pessoa capaz de mudar meu comportamento, apesar do infinito de gente que a todo momento se aventura nessa guerra perdida de mudar o outro. Se eu não entender que a mudança é significativa, você pode espernear do outro lado que o resultado da sua iniciativa será nenhum.

Isso acontece porque as nossas ações resultam dos pensamentos que alimentamos e permitimos que se transformem em palavras. Sim, permitimos, porque os pensamentos não são aleatórios, mas consequência das perspectivas que sustentamos, diariamente. Diante de um copo com água até a metade, por exemplo, você escolhe ver o copo meio cheio ou meio vazio.

Essa perspectiva é o que nos leva a tomar determinadas atitudes que, por sua vez, transformam-se em hábito e é o conjunto desses hábitos que formam o nosso caráter que nada tem de previamente determinado, mas que, na medida em que for escolhido, constituirá o nosso destino.

E se você é daquele que afirma ser esta uma conversinha de autoajuda, lamento informar que essa é uma conversa da neurociência. Mas você pode escolher continuar com seus preconceitos ou optar por se abrir a novos conhecimentos que o ajudarão, entre outras coisas, a compreender o porquê de o presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, Ezequiel Ferreira (PSDB), não ter cedido às pressões para disputar o cargo de governador do Estado, neste ano.

Uma vez que o deputado estadual não consegue presidir uma sessão inteira da Assembleia, independente de o tempo de duração ser 15 minutos ou duas horas, fica claro que ele não encararia o cargo de governador, caso eleito, por este pressupor a perda da autonomia, visto ser baseado em uma rotina vigiada a todo momento e na imprescindível disponibilidade de ficar sentado para o atendimento de terceiros. As sessões parlamentares são públicas e a observação da realidade é opção dada a todos.

Uma sugestão sobre por onde começar a reflexão sobre caminhos trilhados e escolhidos é o livro “O poder do hábito”, de Charles Duhigg, repórter investigativo do New York Times, que mergulhou na neurociência para explicar por que fazemos o que fazemos.

Como bem explica Duhigg, a rotina pode sim ser remodelada, desde que haja interesse da pessoa em mudar o comportamento, a partir da percepção de que a recompensa vale o tempo e o esforço dedicado. O declínio de Ezequiel Ferreira a uma candidatura nunca assumida é demonstração da percepção dele de que a recompensa estava aquém do sacrifício exigido.

FRASE

“Um hábito é uma escolha que em algum momento tomamos deliberadamente. (…). Para reprogramar essa fórmula, precisamos começar a fazer escolhas outra vez.” Charles Duhigg