Nos últimos 11 anos (de 2012 a 2022), foram assassinados 321,4 mil jovens no Brasil. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Nos últimos 11 anos (de 2012 a 2022), foram assassinados 321,4 mil jovens no Brasil. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A cada dia, 62 jovens são assassinados no Brasil, em uma dinâmica que desafia as autoridades para tentar evitar a cooptação de novas gerações pelo crime organizado e a consequente vitimização de grupos mais novos. Em 2022, praticamente metade (49,2%) dos 46,4 mil homicídios registrados no País teve vítimas com idades de 15 a 29 anos.

Isso é o que apontam os dados divulgados ontem, na mais nova edição do Atlas da Violência, relatório produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O documento indica que, em 2022, de cada cem mortes de jovens no Brasil, um terço (34) se deu por homicídio – e grande parte por arma de fogo.

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Quando se considera a série histórica dos últimos 11 anos (de 2012 a 2022), foram 321,4 mil vítimas entre 15 e 29 anos de violência letal no País. A maioria das vítimas é de homens negros. “São eles a mão de obra (do crime organizado). Especialmente jovens periféricos, pretos e pardos, que são aliciados o tempo todo pelo mundo do crime, evadem da escola e não veem oportunidades no mercado de trabalho”, afirma Samira Bueno, uma das coordenadoras do Atlas.

A taxa de homicídios registrados para essa faixa etária foi de 46,6 para cada 100 mil habitantes em 2022, o que representa redução de 4,9% em relação ao que se viu no ano anterior. Ainda assim, trata-se de um patamar bem acima da taxa total de homicídios, que ficou em 21,7 – com 46,4 mil casos registrados -, queda de 3,6% na comparação com um ano antes.

“Uma taxa de homicídios de 21 para cada 100 mil pessoas ainda é algo muito elevado, sob qualquer parâmetro. Mas quando a gente vai olhar para os homens jovens, estamos falando de uma taxa que é quatro vezes superior”, diz Samira. Isso porque, quando se leva em consideração o recorte apenas de homens entre 15 e 29 anos, a taxa sobe para 86,7.

Chama a atenção que, nos últimos anos, essas mortes não estão mais concentradas nas grandes capitais. “O crime organizado está presente mesmo em cidadezinhas do interior, com os jovens trabalhando como ‘aviãozinho’ e atuando no narcotráfico. Não à toa, esse perfil é tão específico: de homens jovens pretos e pardos”, afirma a pesquisadora.

O Atlas da Violência aponta que houve crescimento expressivo da taxa de homicídio juvenil em Piauí (64,6%), Bahia (23,5%) e Amazonas (19,5%) em 2022. Entre as unidades federativas que apresentaram a maior redução estão Distrito Federal, São Paulo e Goiás, que, respectivamente, tiveram quedas de 72,1%, 58,9 e 49%

O Atlas aponta que, no contexto brasileiro, os 321,4 mil homicídios de jovens ocorridos entre 2012 e 2022 resultaram em uma perda de 15,2 milhões de anos potenciais de vida perdidos. “Cada um poderia ter vida produtiva e tem a vida ceifada prematuramente por causa de uma violência que é absolutamente evitável. Que é algo que, com política pública, se consegue reduzir”, diz Samira Bueno.

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