Exportação - Movimentação de Containeres no Porto de Natal

Economia

Exportação RN amplia presença internacional e quer dobrar número de exportadoras potiguares

Plano estratégico utiliza o programa RN Exporta Mais para capacitar empreendedores e diversificar destinos comerciais na Europa e Ásia

por: Marline Negreiros

Publicado 25 de maio de 2026 às 14:30

Com 140 empresas potiguares já atuando no mercado internacional, o Rio Grande do Norte quer mais do que dobrar esse número nos próximos anos. A meta, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado (SEDEC/RN), é alcançar entre 250 e 300 empresas exportadoras, ampliando a participação de pequenos e médios negócios no comércio exterior. A estratégia ganha força em meio às discussões sobre o acordo entre Mercosul e União Europeia, apontado por especialistas como uma oportunidade concreta para diversificar mercados e impulsionar a economia potiguar.

“Hoje temos 140 empresas do RN exportando e queremos chegar a 250, 300 empresas potiguares no mercado internacional. E nós não fazemos isso só com os grandes, fazemos também com pequenas e médias empresas, porque isso desenvolve a economia, movimenta os negócios e gera emprego”, afirma Hugo Fonseca, secretário adjunto da SEDEC/RN.

Segundo ele, o avanço da internacionalização das empresas locais vem sendo fortalecido pelo programa RN Exporta Mais, política pública criada pelo Governo do Estado para preparar empreendedores para atuar em mercados internacionais. “É uma política de estado fixa, desenvolvida justamente para atender esse nicho das pequenas e médias empresas e permitir que elas alcancem cada vez mais mercados”, destaca.

Os resultados já começam a aparecer. De acordo com a SEDEC, o RN ampliou recentemente sua presença em países europeus e árabes. “Mês passado alcançamos a Suíça. No mês retrasado chegamos de forma muito forte pelo mercado europeu através da Inglaterra. Também estamos entrando cada vez mais nos países árabes, além de mercados como a África do Sul, que hoje apresenta grande demanda por frutas”, acrescenta Hugo Fonseca.

O tema esteve no centro das discussões do evento promovido pelo programa RN + Exportação, realizado em Natal, reunindo empresários, representantes do setor produtivo e especialistas em comércio exterior. O encontro debateu os impactos do acordo Mercosul-União Europeia, inteligência comercial e estratégias para ampliar a presença das empresas potiguares no cenário internacional.

Para Felipe Spaniol, coordenador de Inteligência Comercial e Defesa de Interesses da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Rio Grande do Norte reúne setores estratégicos que podem se beneficiar diretamente do acordo internacional. Além da já consolidada fruticultura, ele aponta oportunidades para segmentos como mel e pescado, favorecidos pela redução gradual de tarifas e pela simplificação dos processos aduaneiros.
Os números reforçam o bom momento da balança comercial potiguar. Em abril de 2026, o RN registrou superávit comercial de US$ 18,6 milhões e alcançou a terceira posição no Nordeste, com movimentação total de US$ 72,33 milhões. Ouro, melão, mamão, melancia e minério de tungstênio concentraram cerca de 80% das exportações do estado.

Criado em outubro de 2025, o RN + Exportação surgiu também como resposta aos impactos do tarifaço aplicado pelos Estados Unidos ao Brasil, que afetou cadeias produtivas importantes do estado. O programa busca apoiar empresas na diversificação de mercados e na preparação para negociações internacionais.

“O empresário competitivo é aquele que consegue acessar diferentes mercados e não depende exclusivamente do mercado interno”, avalia Zeca Melo, superintendente do Sebrae/RN. Segundo ele, a internacionalização passou a ser uma estratégia essencial para ampliar a competitividade dos pequenos negócios potiguares.

Entre as ações recentes do programa, um grupo formado por 15 empresários do RN participou de uma missão comercial em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em busca de compradores e novas oportunidades de negócios no mercado árabe.

Exportações crescem em abril

O Rio Grande do Norte encerrou o mês de abril de 2026 com um saldo positivo de US$ 18,6 milhões em sua balança comercial. No período, o estado registrou US$ 45,46 milhões em exportações e US$ 26,86 milhões em importações. O resultado é o terceiro maior saldo da região Nordeste, superado apenas pelo Maranhão (US$ 117,3 milhões) e pelo Piauí (US$ 117,2 milhões).

O bulhão dourado (ouro em forma bruta) foi o principal item da pauta exportadora potiguar, movimentando US$ 24,1 milhões. Na sequência, destacaramse melões frescos (US$ 4,5 milhões), mamões (US$ 2,7 milhões), melancias (US$ 2,5 milhões) e minérios de tungstênio (US$ 2,4 milhões). Juntos, esses cinco produtos concentraram 79,7% do total das vendas externas do estado no mês.

Nas importações, o trigo e misturas com centeio lideraram a lista, com um aporte de US$ 5 milhões. Também figuraram entre os principais itens adquiridos redutores e caixas de transmissão (US$ 2,3 milhões), queijo mussarela fresco (US$ 1,4 milhão), máquinas de impressão offset (US$ 1,3 milhão) e vestuário feminino de malha (US$ 781,6 mil). Esse grupo correspondeu a 39,9% do montante total importado.

A Suíça consolidouse como o destino prioritário das exportações do Rio Grande do Norte em abril, absorvendo 39,9% do total comercializado (US$ 18,1 milhões). O ranking de compradores seguiu com Canadá, Países Baixos, Espanha e Reino Unido. Já os fornecedores foram liderados pela China, responsável por 33,2% das importações (US$ 8,9 milhões), seguida por Argentina, Alemanha, Índia e Espanha.

Apesar do saldo positivo, o desempenho comercial de abril apresentou queda na comparação com o mesmo mês de 2025, quando o superávit atingiu US$ 46,02 milhões. Em relação a março de 2026, quando o saldo foi de US$ 73,76 milhões, também houve redução. O acumulado das transações internacionais do estado nos primeiros quatro meses de 2026 ultrapassa os US$ 548 milhões.

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