Caixa de isopor para esconder dinheiro, remédio para pressão vencido e planilha de R$ 19 milhões. A Operação Mederi desmoronou um esquema gigante na saúde do RN. | Foto: Polícia Federal/Divulgação
A Polícia Federal investiga o maior esquema de corrupção na saúde pública recente do RN, batizado de Operação Mederi. Deflagrada em 27 de janeiro de 2026, a ação apura desvios milionários que tinham como base a prefeitura de Mossoró e se espalharam por pelo menos outras cinco cidades do estado.
O esquema funcionava por meio de fraudes com a distribuidora de medicamentos Dismed, e a PF aponta o ex-prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) como o suposto chefe da estrutura criminosa. Ninguém foi condenado até o momento e todos os citados negam as irregularidades, segundo informações do Blog do Dina.
Conforme as investigações da PF, o crime funcionava de forma simples: as prefeituras compravam os remédios, a empresa entregava apenas uma parte (ou enviava produtos com validade vencida) e o valor da diferença voltava para os envolvidos em forma de propina. Só nos contratos de Mossoró, a estimativa é que o esquema tenha rendido R$ 833 mil em dinheiro vivo para os operadores.

As escutas telefônicas da PF flagraram os donos da empresa organizando a “Matemática de Mossoró”. Segundo os áudios gravados com autorização da Justiça, a propina era dividida da seguinte forma: 15% do valor do contrato iam para “o homem” — que os investigadores apontam ser o ex-prefeito Allyson — e 10% iam para uma mulher identificada apenas como “Fátima”.
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Com o avanço das investigações, a PF identificou a mulher citada na contabilidade clandestina apelidada pelos investigadores de “matemática de Mossoró” como sendo Maria de Fátima Dantas dos Santos, beneficiada direta por repasses de propina na ordem de 10%. Conforme informações do jornal De Fato, ela é uma assessora de comunicação nomeada para atuar na administração pública por meio da Portaria nº 157/2024.
Para esconder a dinheirama e fugir da fiscalização de saques bancários, o grupo usava táticas rudimentares e avançadas. A PF descobriu que parte das notas de dinheiro ficava guardada dentro de caixas de isopor. Houve também depósitos em contas de menores de idade e a criação de empresas de fachada.
Nas buscas na casa dos investigados, os policiais encontraram R$ 57,5 mil escondidos em mochilas na residência de um ex-secretário de Saúde. Já no apartamento de Allyson Bezerra, em Natal, os agentes apreenderam uma planilha que detalhava o controle de R$ 19,6 milhões.

Enquanto o dinheiro corria solto, a população sofria na ponta. No município de Serra do Mel, por exemplo, a fiscalização localizou mil comprimidos para pressão alta que foram entregues com apenas um único dia de validade restante. O prejuízo estimado nessa cidade chega a R$ 4 milhões.
Até agora, a Justiça já determinou o bloqueio de R$ 13,3 milhões em bens dos investigados. Politicamente, o impacto foi imediato: Allyson Bezerra renunciou ao cargo de prefeito de Mossoró e o vice-prefeito, Marcos Medeiros — que também é investigado e nega as acusações —, assumiu a cadeira em março deste ano.
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