Falhas na drenagem de Ponta Negra viram alvo de ação do MPF e acendem alerta em Natal. | Foto: Alisson Almeida
Ação do Ministério Público Federal aponta falhas graves no sistema de drenagem da praia e pede obras emergenciais para evitar novos alagamentos na engorda de Ponta Negra
Publicado 9 de maio de 2026 às 13:30
Uma perícia técnica e estudos da Funpec apontaram falhas graves no sistema de drenagem na área da engorda da praia de Ponta Negra, na Zona Sul de Natal, incluindo tubulações falsas e galerias bloqueadas com concreto e rochas. O caso levou o Ministério Público Federal (MPF) a entrar com uma ação civil pública contra o município, pedindo na Justiça a realização de obras emergenciais e a reestruturação completa do sistema de drenagem.
O MPF afirma que as irregularidades foram identificadas em análises técnicas da Fundação Norte-Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec) e em perícia própria do órgão. Segundo a peça, foram encontradas situações consideradas graves, como tubulações falsas, galerias bloqueadas de forma proposital, além de estruturas com saída de água deformada ou incompatível com o fluxo natural.

De acordo com o MPF, os chamados “dissipadores” instalados pela Prefeitura de Natal não cumprem a função técnica esperada. Em vez de reduzir a força da água da chuva, o sistema estaria funcionando de forma ineficiente, com acúmulo e pressão indevida. “Entre as constatações mais graves, a perícia revelou irregularidades construtivas escabrosas…”, aponta trecho da ação.
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Os procuradores da República Ilia Freire, Victor Mariz e Camões Boaventura afirmam que o cenário representa uma “gravíssima crise socioambiental e técnica” e defendem intervenção judicial urgente para evitar danos ainda maiores.

Segundo o MPF, a falta de drenagem adequada já provoca impactos diretos no turismo, risco à saúde pública e pode acelerar a erosão do Morro do Careca, além de comprometer a faixa de areia da engorda da praia. Em chuvas recentes, já foram registrados alagamentos e abertura de valas na areia, com deslocamento de sedimentos e danos estruturais próximos à área do morro.
O órgão também aponta que os 16 dissipadores existentes não conseguem cumprir sua função de dispersar a água pluvial, o que favorece acúmulo de água misturada a esgoto e aumenta o risco de proliferação de doenças. Além disso, os estudos indicam risco de prejuízos financeiros ainda maiores caso o sistema não seja corrigido, podendo até exigir refazimento da obra de engorda.

Na ação, o Ministério Público Federal solicita uma série de medidas urgentes, entre elas:
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O objetivo final, segundo o MPF, é a reestruturação completa do sistema de drenagem da praia.
Em nota, a Prefeitura de Natal afirmou que as obras da engorda e da drenagem foram executadas conforme os estudos e licenciamento. O município disse ainda que o sistema exige monitoramento contínuo e que irá responder aos apontamentos do MPF dentro do prazo legal.
As análises técnicas citadas pelo MPF também alertam para riscos adicionais:
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