Corte italiana analisa pedido de extradição de Zambelli. | Foto: Reprodução/TV Globo
Ex-deputada está presa na Itália desde julho de 2024 e responde por invasão de sistemas e porte ilegal de arma; defesa aposta em dupla cidadania e pressão política para barrar envio ao Brasil
Publicado 10 de fevereiro de 2026 às 09:54
A Corte de Apelações de Roma deve julgar nesta terça-feira (10) o pedido de extradição de Carla Zambelli, ex-deputada federal pelo PL de São Paulo, ao Brasil. Zambelli está presa na capital italiana desde julho de 2024, após ação conjunta da Polícia Federal brasileira e autoridades locais. O caso ganhou atenção internacional e já teve quatro adiamentos desde a detenção.
A defesa da ex-parlamentar aposta na possibilidade de que sua dupla cidadania italiana e brasileira impeça a extradição. Segundo o advogado Fabio Pagnozzi, que representa Zambelli na Itália, a expectativa é de um resultado favorável à cliente.
Além das estratégias jurídicas, a extradição enfrenta movimentações políticas. O senador italiano Matteo Gelmetti, do partido Fratelli d’Italia, da primeira-ministra Giorgia Meloni, atua junto ao Ministério da Justiça italiano para tentar impedir o envio de Zambelli ao Brasil. O parlamentar questiona a condução do processo pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticando a atuação como “relator, vítima e acusador”, nas palavras de Pagnozzi.
Gelmetti também solicitou explicações sobre como o deputado Angelo Bonelli, do Partido Verde italiano, localizou Zambelli em Roma. Em julho de 2024, Bonelli publicou no X o endereço da ex-deputada, informação que foi repassada às autoridades italianas, culminando na prisão da brasileira no mesmo dia. Investigadores afirmam que a localização contou com apoio do adido da Polícia Federal na embaixada brasileira.
Zambelli responde a duas condenações no STF. A primeira, de dez anos de prisão, envolve invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça e falsidade ideológica. Segundo o tribunal, a ex-deputada contratou o hacker Walter Delgatti Neto para inserir documentos falsos no CNJ, incluindo um suposto mandado de prisão contra Alexandre de Moraes.
A segunda condenação, de cinco anos e três meses em regime semiaberto, refere-se a porte ilegal de arma e constrangimento ilegal durante as eleições de 2022. Imagens da Polícia Civil mostram Zambelli empunhando uma pistola enquanto um homem é perseguido e agredido por outras pessoas. A defesa afirma que a ex-deputada sofreu agressão antes do episódio.
Após a primeira condenação, Zambelli deixou o Brasil, e o governo brasileiro solicitou formalmente sua extradição às autoridades italianas. A decisão da Corte de Apelações de Roma definirá se a ex-deputada será enviada ao Brasil para cumprimento das penas. Até o momento, o ministro Alexandre de Moraes não se pronunciou sobre o caso.
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