Caso envolve empresário do setor de mineração ligado à Biomm, empresa que tem Daniel Vorcaro como principal acionista. | Foto: Reprodução
A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, passou a atuar na defesa do empresário Lucas Kallas em um inquérito que tramita na Corte. O caso chegou ao STF na última segunda-feira (2), após tribunais federais identificarem possíveis indícios de participação de pessoas com foro privilegiado nas investigações.
O processo foi remetido ao Supremo pelo Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6) e pela 3ª Vara Federal de Belo Horizonte. A apuração teve início na Polícia Federal em Minas Gerais e envolve, além de Kallas, empresas ligadas ao setor de mineração, como a LPK Participações e Consultoria, a Extrativa Mineral e a Cedro Participações.
Por meio da Cedro, Lucas Kallas é sócio da farmacêutica Biomm, onde detém cerca de 8% das ações. O principal acionista da empresa é o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, com aproximadamente 25,8% de participação. A Biomm também conta com investimentos da BNDESPar, braço financeiro do BNDES, além de outros acionistas privados.
Além de Viviane Barci de Moraes, também assinam petições no processo Alexandre Barci de Moraes e Giuliana Barci de Moraes, filhos do ministro Alexandre de Moraes. Procurados, o ministro e o escritório da advogada ainda não se manifestaram. O espaço segue aberto para posicionamentos.
A participação de familiares de ministros em processos que tramitam no Supremo tem sido alvo de questionamentos públicos. As críticas ganharam força após a divulgação de que o escritório de Viviane Barci foi contratado pelo Banco Master em um acordo que envolveu valores milionários.
O tema também envolve o ministro Dias Toffoli, relator de um inquérito relacionado ao Banco Master. Reportagens apontaram que ele teria viajado em aeronave particular ao lado de um advogado do caso, além de investimentos feitos por um fundo ligado ao banco em um resort que já pertenceu a familiares do ministro.
Na primeira sessão plenária do STF em 2026, Alexandre de Moraes afirmou que há “má-fé” nas acusações de que a Corte permitiria julgamentos com conflitos de interesse. Segundo ele, existem regras claras que impedem magistrados de atuar em processos nos quais tenham vínculos pessoais ou familiares.
“O magistrado não pode ter ligação com o processo que julga. E todos os magistrados, inclusive os desta Suprema Corte, não julgam nenhum caso em que exista esse tipo de relação”, declarou. Moraes também classificou como “mentira absurda” a interpretação de que o STF teria autorizado esse tipo de situação.
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