Uso prolongado do celular pode sobrecarregar o pescoço e levar a dores crônicas
A população brasileira é marcada pelo uso constante do smartphone, seja para o trabalho, comunicação ou entretenimento. Os dados mais recentes da PNAD Contínua TIC 2024 do IBGE mostram um avanço recorde no uso de celulares no Brasil. Em 2024, 88,9% da população com 10 anos ou mais possuía celular para uso pessoal. No entanto, esse hábito cultural tem impactado a saúde da coluna. O tempo prolongado de tela, associado à má postura, está provocando uma escalada nos casos de cervicalgia, como são chamadas as dores no pescoço, em faixas etárias cada vez mais jovens.
De acordo com Marcos Ferreira Junior, ortopedista especialista em cirurgia de coluna do Hospital Orizonti, a flexão do pescoço ao usar o celular é a principal responsável. “Nosso pescoço está preparado para suportar o peso da cabeça, que é de cerca de cinco quilos, em média. Quando o indivíduo inclina a cabeça em 60 graus para olhar o celular, a carga suportada pelo pescoço pode chegar a 30 kg. Essa sobrecarga exige um esforço enorme de toda a musculatura para estabilizar a cabeça, gerando dores no pescoço, ombros e costas”, explica o médico.
A longo prazo, essa sobrecarga pode causar a retificação da lordose cervical, quando o pescoço fica mais reto e rígido, acelerar a degeneração dos discos e articulações e, em pessoas com predisposição, precipitar o surgimento de hérnias de disco. Em casos extremos, a má postura contínua pode levar ao aumento da cifose, causando inclusive alterações estéticas.
Os primeiros sinais de que há um excesso de uso e sobrecarga são a dor e a sensação de rigidez, a dificuldade de movimentar ou esticar o pescoço. No entanto, o médico alerta que alguns sintomas indicam a necessidade de buscar ajuda especializada de forma mais imediata, como a dor constante que dure mais de uma semana ininterrupta ou dores muito fortes que não apresentam melhora com analgésicos comuns. Dores que se espalham para os membros superiores, como ombros e braços, e a presença de dormência, formigamento ou perda de força nas mãos e nos braços também servem de alerta para ir ao pronto atendimento.
Para evitar o surgimento ou o agravamento das dores, o especialista lista mudanças de hábitos essenciais:
O ortopedista do Hospital Orizonti ressalta que o tratamento cirúrgico é uma rara exceção, indicado apenas para casos de compressão neurológica grave. Na maioria dos pacientes, o problema é resolvido com reabilitação física, por meio de fortalecimento, alongamento e prevenção.
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