Senadora Soraya Thronicke cobrou encenação do estupro de uma filha de um parlamentar. Foto: Pedro França/Agência Senado
Senadora Soraya Thronicke cobrou encenação do estupro de uma filha de um parlamentar. Foto: Pedro França/Agência Senado

A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) desafiou a atriz Nyedja Gennari, que interpretou um feto sendo abortado em uma encenação no plenário do Senado na última segunda-feira, 17, a encenar o momento em que a filha de um parlamentar é vítima de um estupro. A crítica da senadora foi feita em discurso no plenário da Casa Legislativa nesta quarta-feira (19).

“Eu queria até o telefone, o contato, daquela senhora que esteve aqui ontem, encenando aquilo que nós vimos. Sabe por quê? Porque eu quero ver ela encenando a filha, a neta, a mãe, a avó, a esposa de um Parlamentar sendo estuprada. Eu quero que ela faça a encenação do estupro agora. Por que não? Se encenaram um homicídio aqui ontem, que encenem o estupro”, questionou.

E continuou com a crítica: “E pergunto para vocês: se é a filha de um Parlamentar aqui, com 10 anos, com 11 anos, com 18 anos, com 20 anos, que é estuprada – esse Parlamentar, diante de um flagrante delito, é obrigado a denunciar –, ele vai fazer o quê? Vai denunciar a filha para 20 anos de cadeia? E se a mulher de um Parlamentar for estuprada e engravidar? Se esta mulher engravidar, então este Parlamentar vai fazer o quê? Vai levar a termo a gestação. Aí, Fabiano Contarato, ele vai acompanhar a gravidez decorrente do estupro na esposa dele e vai dar toda a atenção. No dia em que nascer, ele vai escolher se assume essa criança ou se ele a dá para a adoção. É, mais uma vez, algo que nos choca. E o SUS banca a vasectomia para quem quiser fazer. Ninguém delibera sobre o corpo dos homens. E eu não estou aqui defendendo o aborto, eu sou contra, e o Estado brasileiro também é, com três raras exceções.

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O tema está em evidência por conta de projeto que ainda está na Câmara dos Deputados e busca equiparar o aborto em até 22 semanas com o crime de homicídio simples e que teve a urgência aprovada na semana passada. . No início da sessão no Senado promovida por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na manhã da segunda-feira, Gennari fez uma atuação simulando uma assistolia fetal, procedimento utilizados por médicos para interromper a gravidez. A performance da atriz repercutiu negativamente nas redes sociais.

Segundo adiantou a Coluna do Estadão, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) avisou que não vai mais tolerar o uso do plenário da Casa para esse tipo de evento. O presidente da Casa também deixou claro que não gostou de o debate ter ignorado especialistas contrários ao projeto.

Segundo Pacheco, futuros eventos devem levar em conta todas as correntes de pensamento, além de critérios técnicos, científicos, a própria legislação vigente e, sobretudo, as mulheres senadoras. Na terça-feira (18) o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), anunciou a formação de uma “comissão representativa” para debater o projeto. O alagoano não especificou como o grupo será formado e informou que o seu funcionamento será decidido em agosto.

“O colégio de líderes deliberou debater esse tema de maneira ampla no segundo semestre, com a formação de uma comissão representativa”, declarou Lira. “Todas as forças políticas, sociais, participarão desse debate, sem pressa e sem qualquer tipo de açodamento”, acrescentou. O Centrão e a base de Lula na Câmara já tentavam desde a semana passada empurrar a votação do projeto para depois das eleições municipais de outubro.

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