Dados são da Secretaria de Segurança Pública do Estado - Foto: Carlos Azevedo/Novo

Os roubos a supermercados, farmácias, lojas, postos de combustíveis, restaurantes e padarias no Rio Grande do Norte aumentaram 55% em 2021, segundo levantamento da Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análise Criminal da Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (Coine/Sesed).

Os dados mostram que no período entre janeiro e maio foram registrados 801 roubos a estabelecimentos comerciais no estado, número bem acima do contabilizado no acumulado do mesmo intervalo do ano passado: 516.

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Somente em maio deste ano, o número de roubos em pontos comerciais quase triplicou em comparação com maio de 2020. O empresário Renan Vital foi uma destas vítimas. O estabelecimento dele, localizado no bairro de Petrópolis, foi alvo de criminosos por duas vezes em 10 dias.

“Na primeira vez, foram quatro caras, em uma Fiorino. Eles desceram, arrombaram a porta em um minuto e fizeram o roubo, levaram vinhos, peças de picanha, muita cerveja, dinheiro e o celular da loja. Eles ouviram um barulho e saíram correndo, mas depois voltaram e terminaram o roubo. O prejuízo foi de mais ou menos R$ 8 mil”, lembra Vital.

Logo após o crime, o empresário reforçou a segurança do local e contratou um segurança particular, mas o bar sofreu uma nova tentativa de assalto na semana seguinte. “Da segunda vez, quando eles abriram a porta e viram o segurança já saíram correndo e não levaram nada. Me sinto muito vulnerável porque além de ter ficado com o bar fechado por muito tempo, tenho que ficar preocupado com a minha segurança”, relata o empresário, que se juntou com outros comerciantes da região para contratar uma ronda.

Problema e solução

O aumento expressivo no número de roubos a pontos comerciais ocorre a despeito da redução do índice de homicídios no RN, que apresentou uma diminuição de 10,9% no acumulado de janeiro a maio de  2021. Para o especialista em segurança pública Ivênio Hermes, a alta é um sintoma da mudança de atuação dos bandidos.

“Os criminosos quando estão sofrendo ações da polícia e perdendo sua capacidade de financiamento do seu próprio negócio, eles começam a migrar de atividade, principalmente o tráfico de drogas. O tráfico de drogas quando sofre muitos reveses fica sem dinheiro para poder girar o seu capital de atuação, economicamente falando. Por isso começa a haver mais assalto a comércios.”, explica.

Ainda segundo Hermes, que chefia a Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análise Criminal da Sesed, os grupos criminosos mantêm um monitoramento  dos possíveis alvos para praticar o roubo e evitar confronto com a polícia. “O policiamento não pode manter uma viatura perto de cada loja dessas sempre, então os criminosos fazem esse monitoramento porque para eles não importa o confronto, mas sim o lucro. Estamos fazendo um relatório das áreas mais vulneráveis para entregar ao policiamento da Região Metropolitana e um mapeamento das rotas de fuga para que as equipes possam fazer sobrevoos nessas áreas e evitar o cometimento desses crimes”, comenta Ivênio Hermes.

CVLIs

O mês de maio foi finalizado no Rio Grande do Norte com a segunda maior redução no índice de Condutas Violentas Letais Intencionais (CVLIs) deste ano. Com base em dados da Coine, houve uma queda de 134 ocorrências em maio de 2020 para 106 no mesmo mês em 2021, ou seja, 20,9% a menos de registros.

Ainda de acordo com os dados da Sesed, no comparativo entre maio de 2020 e 2021, os dados também apontam redução no quantitativo de ocorrências em todos os tipos de crimes violentos. Os que mais registraram diminuição foram: lesão corporal seguida de Morte, que teve queda de 29 em 2020 para 13 em 2021 (-55.2%); feminicídio, que caiu de 10 em 2020 para 4 em 2021 (-60%); e latrocínio, que reduziu de 38 no ano passado para 31 em 2021 (-18,4%).