Cartão de crédito, carnês e empréstimos lideram os motivos do endividamento recorde na capital. | Foto: Reprodução

Economia

Bolso Quase 85% das famílias em Natal estão endividadas e pressão financeira muda carrinho de compras

Pesquisa nacional revela que índice de endividamento na capital potiguar superou a média do país e já ameaça o consumo básico, como a compra de alimentos

por: NOVO Notícias

Publicado 20 de maio de 2026 às 11:40

O endividamento das famílias em Natal atingiu a marca alarmante de 84,6% no mês de março, de acordo com os dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O cenário na capital potiguar coloca o comércio local em alerta máximo.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Finanças Digitais (IFD), o índice supera com folga a média nacional, hoje estimada em 70%. A situação dos consumidores natalenses também se mostra mais grave do que a de outras capitais do Nordeste, como Recife (PE), onde o endividamento atinge 80,9% da população.

O índice potiguar também se aproxima dos patamares observados no Ceará, onde 89% das famílias relataram ter dívidas a vencer (cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e casa).

Segundo especialistas, o risco econômico mais imediato para a população local é a perda real do poder de compra, o que empurra as famílias para a inadimplência e força cortes severos no orçamento doméstico.

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O sumiço da carne no carrinho

Conforme análise do presidente do IFD, o economista Rodrigo de Abreu, o impacto da crise financeira é percebido diretamente nas gôndolas dos supermercados de Natal. Para conseguir fechar as contas, o consumidor potiguar tem mudado drasticamente os hábitos de consumo.

“Quando vai ao mercado, a família opta por produtos mais baratos ou, no limite, elimina certos itens da lista de compras, como a carne bovina”, explicou.

Informalidade e juros altos no RN

Segundo as informações do instituto, dois fatores locais são decisivos para explicar a explosão das dívidas na capital. Em primeiro lugar, a renda média do trabalhador natalense é inferior à média nacional, o que obriga o uso recorrente de cartões de crédito, carnês, empréstimos e cheque especial para complementar o mês.

Somado a isso, o alto índice de informalidade no mercado de trabalho do Rio Grande do Norte encarece o acesso ao crédito, tornando os juros ainda mais abusivos para quem precisa pegar dinheiro emprestado para sobreviver.

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