Pais reclamam de falta de pediatras em hospitais de Natal – Foto: Carlos Azevedo/NOVO Notícias

São cada mais frequentes as reclamações de mães e pais de crianças – seja em conversas com amigos e familiares ou em desabafos nas redes sociais – sobre a atual dificuldade de conseguir consulta com pediatra, principalmente em plantões durante os fins de semana ou nas urgências, seja na rede privada ou pública. Os relatos dão conta de filas enormes e demora de horas para o atendimento.

Alguns hospitais particulares simplesmente extinguiram o serviço de atendimento pediátrico, deixando os usuários de planos de saúde desassitidos na hora em que os filhos pequenos adoecem. Outros estabelecimentos de saúde não reforçaram seus quadros de profissionais da área para suprir a contento a demanda acumulada.

Ingrid Lopes, bacharel em Ciências Contábeis, conta que seu filho de três anos chegou resfriado da escola e acabou transmitindo os sintomas para a irmão mais novo, de apenas três meses. Porém, logo aos primeiros sinais de tosse, ela levou o bebê para um hospital particular da cidade. Ingrid diz ter chegado no local com os filhos às 9h50, e o local estava lotado, só conseguindo sair às 17h17, como bem cronometrou.

Ingrid Lopes e seu filho, com três meses – Foto: Cedida

Apesar de ter sido constatada a presença de secreção nos pulmões do filho de três meses, o médico que os atendeu disse ser insignificante a quantidade e que o problema poderia ser tratado em casa. Só que, em dois dias, o quadro da criança se agravou e Ingrid voltou ao hospital com o filho sentindo falta de ar e desmaios. A criança foi encaminhada para a UTI e ficou internada.

“Tudo isso porque no dia que a gente foi pela primeira vez, o médico não passou um raio-x!”, comenta a mãe, que diz ter sido preciso internamento de quatro dias na enfermaria e três na UTI com o bebê.

O filho passou trinta dias doente e foi levado por mais seis vezes ao mesmo hospital. Ingrid diz ter sentido descaso no atendimento. Segundo ela, não havia sequer dipirona para ser aplicada de forma intravenosa na criança. “Eu achei isso um absurdo! A gente paga um plano de saúde caro, vai para um hospital daquele, com uma estrutura lindíssima daquele e não adianta de nada.”

Ela comenta que a situação de superlotação desse hospital que procurou já é resultado do fechamento do setor de pediatria de um outro hospital particular da capital, e, em sua avaliação, ainda pela falta de investimento no aumento do quadro de colaboradores ao estabelecimento credenciado ao seu plano.

A família está estudando contratar um advogado para tratar do caso, que classificam como negligência.

Outra personagem, que preferiu ser identificada apenas por Janaína, conta que a pediatra que cuidava de sua pequena saiu do plano de saúde e que foi à procura de outros profissionais, quando ela completou um ano de idade. Só que seis meses depois, a pediatra escolhida também saiu do plano. “Aí, ela está sem pediatra. Quando ela adoece, tenho que levar pro plantão.”

Sociedade de Pediatria do RN avalia situação
Kátia Correia, presidente da Sociedade de Pediatria do RN – Foto: Reprodução

Avaliando a situação de uma possível falta de pediatras em Natal, relatada pelos personagens acima, a na matéria, a presidente da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Norte (Sopern), Kátia Correia Lima, diz ser importante esclarecer que não existe falta de pediatras na capital

“As residências médicas que aqui possuímos graduam em média 23 profissionais por ano e atualmente em Natal possuímos três UPAs que contemplam a faixa pediáatrica não possuidora de plano de saúde e a rede privada com quatro hospitais, cujas as escalas são compostas por dois a quatro pediatras por plantão”, afirma a presidente da Sopern.

De acordo, com Kátia Correia Lima, o problema de demora em atendimento e grandes filas é provocado pelas condições climáticas neste período do ano no estado, configurando-se em um fator que favorece a disseminação de doenças virais. Ela informa que o fluxo de atendimento desses serviços aumentam em torno de 40% nessa época.

Ela cita o não atendimento a crianças por parte de um dos hospitais privados e desistência do serviço pediátrico em outro – ambos citados indiretamente pelas personagens. “É fato que em alguns momentos esses hospitais que hoje atendem à criança e ao adolescente chegaram a fechar as portas devido ao grande número de atendimentos em curso, que precisavam ser solucionados e liberados para ter como atender os demais que aguardavam nas filas. Mas é importante ressaltar que todos os casos graves tiveram prioridade no atendimento.”

A presidente da Sopern recomenda aos pais agirem de forma preventiva, para que fiquem vigilantes aos primeiros sintomas que possam suas crianças apresentar, como febre, tosse, coriza, diarreia. “Medidas preventivas devem ser implantadas, como alimentação adequada, hidratação, evitar aglomerações, manter a casa arejada, limpea de ventilador e filtro de ar-condicionado. Manter o cartão de vacinas atualizado pois existem vacinas contra gripe gratuita nas UBS a partir do sexto mês e também em redes privadas.”