WhatsApp, planilhas financeiras, “tribunal do crime” e até setor de “transparência”: denúncia revela como funcionava a estrutura da facção no RN. | Foto: Divulgação/PFRN

Cotidiano

Investigação MPRN aponta que Sindicato do Crime no RN tinha “conselho” e até setor de “transparência”

Denúncia aponta uso de grupos de WhatsApp, arrecadação financeira e participação em homicídios autorizados por um suposto “tribunal do crime”; Justiça torna réus 25 integrantes da cúpula da facção

por: NOVO Notícias

Publicado 9 de maio de 2026 às 10:18

O Ministério Público do RN (MPRN) denunciou 25 pessoas suspeitas de integrar a cúpula da facção Sindicato do Crime do RN. Segundo a investigação, o grupo criminoso possuía uma estrutura organizada com divisão de funções, controle financeiro, comunicação por WhatsApp e até um setor chamado de “transparência”.

A denúncia foi aceita pela Justiça e transformou os investigados em réus por crimes como organização criminosa armada, tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e lavagem de dinheiro. Entre os denunciados está uma advogada suspeita de atuar como elo entre presos e integrantes da facção em liberdade.

De acordo com o Ministério Público, a investigação faz parte da Operação Treme Tudo, deflagrada em dezembro do ano passado para desarticular células armadas da organização criminosa. Mandados foram cumpridos no Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas e Rondônia.

Facção tinha “organização administrativa”

Segundo o processo, a facção tinha uma estrutura hierárquica semelhante à de uma organização administrativa. No topo estaria a chamada “Final”, formada pelos fundadores do grupo. Logo abaixo aparecia o “Conselho”, responsável por decisões estratégicas, autorizações de execuções e resolução de conflitos internos.

Mandados foram cumpridos no Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas e Rondônia. | Foto: Divulgação/PFRN

As investigações apontam que integrantes desse núcleo utilizavam grupos de mensagens para coordenar ações criminosas em diferentes regiões do estado. Parte do conselho também exerceria a função chamada de “Transparência”, responsável pelo cadastro de integrantes, monitoramento de áreas dominadas e emissão de comunicados.

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O Ministério Público afirma ainda que havia grupos exclusivos para controle financeiro da facção. Planilhas, cobranças e prestações de contas eram compartilhadas por WhatsApp, enquanto integrantes recolhiam dinheiro do tráfico de drogas em Natal e no interior do estado para repasse à cúpula.

A denúncia aponta atuação da organização em bairros de Natal como Ponta Negra, Rocas, Mãe Luíza, Quintas e Felipe Camarão, além do Golandim, em São Gonçalo do Amarante. O grupo também manteria conexões com facções de outros estados e ligação com o Comando Vermelho.

Advogada foi flagrada com bilhetes enviados para chefes presos. | Foto: Divulgação/PFRN

Outro ponto destacado na investigação é a chamada “Sintonia dos Gravatas”, estrutura formada por advogados suspeitos de atuar na comunicação entre presos e integrantes em liberdade. Uma advogada foi presa em flagrante durante a operação com bilhetes conhecidos como “catataus”, segundo o MPRN.

Homicídios foram gravados e compartilhados

Ainda conforme a denúncia, integrantes da cúpula da facção teriam autorizado ao menos 11 homicídios e uma tentativa de assassinato em decisões tomadas em um suposto “tribunal do crime”. Vídeos das execuções seriam compartilhados entre membros da organização como demonstração de poder.

Com o recebimento da denúncia, a Justiça manteve a prisão preventiva de 15 réus. Outros investigados seguem foragidos. O Ministério Público também pediu o bloqueio e perdimento de bens, veículos e valores apreendidos durante a operação.

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