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Economia

Pesquisa Jornada 6×1 pode eliminar 7,8 mil empregos no RN, aponta Fecomércio

De acordo com o levantamento, a mudança pode gerar um custo adicional de aproximadamente R$ 3 bilhões por ano para as empresas potiguares, além da possível eliminação de 7.800 empregos formais no curto e médio prazo

por: NOVO Notícias

Publicado 28 de maio de 2026 às 10:04

A proposta de extinção da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas podem provocar impactos significativos na economia do Rio Grande do Norte. É o que aponta um estudo divulgado pelo Instituto Fecomércio RN (IFC) em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

De acordo com o levantamento, a mudança pode gerar um custo adicional de aproximadamente R$ 3 bilhões por ano para as empresas potiguares, além da possível eliminação de 7.800 empregos formais no curto e médio prazo. O estudo também prevê aumento de preços de até 13%, o que teria reflexos diretos no custo de vida da população.

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Os setores de comércio e serviços, responsáveis pela maior parte dos empregos formais no estado, seriam os mais impactados pela alteração na jornada de trabalho.

Além da análise econômica, o Instituto Fecomércio RN realizou uma pesquisa com 1.305 trabalhadores formais em municípios de diferentes regiões do estado. O levantamento mostrou que a proposta possui apoio inicial de parte significativa dos entrevistados, mas que a maioria admite ter pouco conhecimento sobre os efeitos concretos da mudança.

Segundo a pesquisa, mais de 89% afirmaram já ter ouvido falar sobre a proposta de redução da jornada, porém apenas 8,7% disseram compreender efetivamente suas consequências práticas. Entre os entrevistados favoráveis à medida, 91,3% declararam possuir conhecimento médio ou baixo sobre os possíveis impactos econômicos e trabalhistas.

O estudo também identificou que os próprios trabalhadores enxergam riscos associados à mudança. Entre as principais preocupações apontadas estão o aumento da rotatividade de mão de obra, citado por 71,1% dos entrevistados; o crescimento da informalidade, mencionado por 65%; o acúmulo de funções, apontado por 63,5%; e a redução dos postos formais de trabalho, destacada por 60,2%.

Marcelo Queiroz, presidente do Sistema Fecomércio RN

Outro dado apresentado pela pesquisa mostra que o apoio à proposta cai de 75% para 55,6% quando os trabalhadores recebem informações sobre os possíveis efeitos econômicos da medida. Entre os fatores que levam parte dos entrevistados a reconsiderar o posicionamento estão a possibilidade de redução salarial, apontada por 44,8%, e o aumento do desemprego, citado por 37,8%.

O levantamento ainda destaca um cenário considerado paradoxal: os trabalhadores de menor renda, que demonstram maior apoio inicial à mudança na jornada, são justamente os mais vulneráveis aos impactos negativos provocados pelo aumento dos custos operacionais das empresas e pela possível retração do mercado formal de trabalho.

No cenário nacional, a CNC estima que a proposta possa gerar um custo adicional anual de R$ 357,4 bilhões para os setores de comércio e serviços em todo o país, além da possibilidade de perda de até 631 mil empregos formais.

Para o presidente do Sistema Fecomércio RN, Marcelo Queiroz, o debate sobre a proposta precisa considerar os efeitos práticos sobre a economia e o mercado de trabalho.

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