Pesquisa do IBGE aponta queda simultânea em todos os setores industriais do RN. | Foto: Arquivo/Assecom RN
Em receita líquida de vendas, as indústrias potiguares apuraram R$ 28,32 bi no período, sendo as atividades com maior representatividade no estado as de “fabricação de produtos alimentícios”
Publicado 24 de junho de 2026 às 10:41
Em 2024, a indústria do Rio Grande do Norte gerou R$ 12,77 bilhões em valor de transformação industrial (VTI), o que representa uma participação de 6,0% no valor gerado pelo setor no Nordeste (R$ 213,3 bi). O RN tinha 2.057 empresas atuantes, que empregavam 66.548 pessoas. As indústrias pagavam, em média, 2 salários mínimos aos trabalhadores, e somaram mais de R$ 2,38 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações no período. Os dados consideram empresas com cinco ou mais pessoas ocupadas.
As informações são da Pesquisa Anual da Indústria (PIA) Empresa 2024, divulgada hoje (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em receita líquida de vendas, as indústrias potiguares apuraram R$ 28,32 bi no período, sendo as atividades com maior representatividade no estado as de “fabricação de produtos alimentícios” (R$ 6,74 bi), as de “extração de petróleo e gás natural” (R$ 3,09 bi) e as de “manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos” (R$ 2,34 bi).
A pesquisa mostra ainda que o setor industrial do RN desembolsou R$ 15,30 bi com custos das operações industriais.
Indústria alimentícia é a que mais emprega e petrolífera a que mais gera valor de transformação no RN
A “Fabricação de produtos alimentícios” predominou em 12 dos 13 critérios analisados pela Pesquisa Anual Industrial – Empresa do IBGE em 2024. O segmento tinha o maior número de unidades locais atuantes no Rio Grande do Norte (550) e foi também o que mais empregou (16.472 pessoas), seguido de perto pela “Confecção de artigos do vestuário e acessórios” (15.514 pessoas) em ocupação.
A liderança do setor alimentício também apareceu em “valor bruto da produção industrial”. O segmento gerou mais de R$ 6,70 bilhões, o que representa 23,89% do valor bruto gerado por toda a indústria potiguar (R$ 28,07 bi). O montante também foi mais que o dobro do valor bruto gerado pela “extração de petróleo e gás” (R$ 3,07 bi), em segundo lugar.
Apesar disso, quando o quesito foi valor da transformação industrial (VTI), a liderança no RN foi assumida pela “extração de petróleo e gás”, que concentrou 19,55% do valor gerado no estado (R$ 2,49 bi), seguido pela fabricação de produtos alimentícios, com 10,95% (R$ 2,09 bi). O analista da pesquisa do IBGE, Marcelo Miranda, explica que o VTI representa a riqueza efetivamente gerada pela atividade industrial, sendo calculado com o valor bruto da produção menos os custos das operações industriais.
“Dessa forma, a extração de combustíveis fósseis pode apresentar um VTI elevado mesmo sem liderar as demais variáveis. Geralmente, as atividades extrativas possuem um alto valor agregado por unidade produzida, ou seja, mesmo empregando menos trabalhadores, mesmo tendo menor participação em salários totais, entre outras variáveis, a extração gera maior riqueza a partir da exploração de recursos naturais”, disse Miranda. Enquanto a fabricação de produtos alimentícios teve R$ 4,60 bi em “custos das operações industriais”, a extração de petróleo gás teve R$ 577 milhões em custos.
Impacto da mudança da RAIS para eSocial nas pesquisas
A mudança da RAIS para o eSocial impactou o desenho amostral das pesquisas e culminou no início de uma nova série das pesquisas estruturais econômicas, incluindo a PAIC. Isso significa que os dados coletados antes e depois dessas mudanças não são diretamente comparáveis, pois o universo de empresas e os critérios de seleção mudaram.
Nos anos recentes, as pesquisas do IBGE foram impactadas pela mudança na fonte administrativa utilizada na atualização do Cadastro Central de Empresas – Cempre, com a substituição, em 2022, da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) pelo Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial).
A transição gerou uma quebra na série em várias atividades do âmbito das pesquisas, reduzindo temporariamente o número de empresas. Em 2023, foram aplicados ajustes de calibração voltados a mitigar esses efeitos e preservar a coerência das estimativas. Em 2024, houve a quebra definitiva da série histórica das pesquisas com a introdução do novo indicador de atividades oriundo dos registros administrativos da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil.
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