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Cotidiano

Trânsito Dirigir de madrugada triplica o risco de acidentes em rodovias, alerta estudo; RN registrou 14 mortes em 2025

Pesquisa indica que a chance de sofrer um acidente grave é de 3 a 3,5 vezes maior entre as 2h e as 4h da manhã

por: NOVO Novo

Publicado 2 de fevereiro de 2026 às 15:00

Em 2025, o Rio Grande do Norte registrou 111 mortes em acidentes de trânsito nas rodovias federais, conforme dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Desse total, 55 óbitos ocorreram no período noturno, sendo que 14 deles aconteceram entre as 0h e às 04h. Ao todo, foram 583 acidentes registrados à noite, com a BR-101 liderando as estatísticas (226 casos), seguida pela BR-304 (144).

O levantamento da PRF aponta que, no ano passado, as rodovias federais do estado somaram 1.649 acidentes, resultando em 1.443 feridos leves e 459 feridos graves. Embora muitos motoristas optem pela madrugada para evitar trânsito, um estudo brasileiro alerta para os riscos dessa escolha.

Publicada na revista Brazilian Journal of Medical and Biological Research, a pesquisa indica que a chance de sofrer um acidente grave é de 3 a 3,5 vezes maior entre as 2h e as 4h da manhã.

A pesquisa, conduzida pelo Instituto Mauá de Tecnologia em parceria com a USP e a Universidade de Swansea (Reino Unido), analisou dados de rodovias federais para isolar o fator horário. A conclusão derruba o senso comum de que estrada vazia seria sinônimo de segurança.

Segundo os autores, o perigo nesses horários não vem de fora, mas de dentro do veículo: é o próprio motorista lutando contra seu relógio biológico.

“O fato de um acidente ocorrer em uma estrada de baixo tráfego, envolvendo um único veículo em um trecho reto, é um indicador de que o relógio interno do motorista e seu desalinhamento com o horário social podem ser fatores influentes”, escrevem em comentário os autores Vanderlei Parro, Simon Folkard e Claudia Moreno.

O estudo classifica o viajar de madrugada como um comportamento de alto risco, especialmente para pessoas que não estão acostumadas a ficar acordadas à noite. O pesquisador é taxativo ao comparar a fadiga com a embriaguez. “Dirigir com sono é comparável a dirigir sob efeito de álcool em termos de risco”, alertam. “A recomendação mais forte é evitar dirigir nesses horários sempre que possível”.

Ainda de acordo com parro, o declínio na memória de trabalho e o pico de sonolência afetam severamente a cognição e a tomada de decisões rápidas. A probabilidade de erro humano aumenta, levando a ocorrências como saídas de pista em trechos retos, típicas de quem dorme ao volante. O uso de estimulantes para tentar compensar o cansaço pode piorar o julgamento e elevar o perigo.

Para mitigar esses riscos, especialistas defendem a implementação de políticas públicas focadas na infraestrutura e na educação. A expansão de áreas de descanso seguras e bem distribuídas é apontada como fundamental para permitir pausas restauradoras, especialmente para motoristas profissionais.
O estudo aponta que a redução da mortalidade nas estradas depende de uma ação conjunta. Se por um lado o motorista precisa respeitar seus limites biológicos, por outro, o poder público deve garantir a infraestrutura para isso.

“Investir em áreas de descanso bem iluminadas, seguras e com vigilância adequada é uma intervenção crítica. Essas áreas não apenas incentivam os motoristas a parar, mas também abordam as preocupações de segurança que hoje agem como uma grande barreira”, concluem os pesquisadores.

Dados:
111 mortes em acidentes de trânsito nas rodovias federais do RN em 2025

55 óbitos em acidente no período noturno, sendo 14 entre 0h e 4h

583 acidentes à noite, com BR-101 (226 casos) e BR-304 (144) no topo

Total de 1.649 acidentes no ano,

com 1.443 feridos leves e 459 graves

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