Carnaval fora de época costuma reunir milhares de pessoas e acontece em meio à pandemia – Foto: Dayvissom Melo/Novo

A realização do Carnatal 2021, considerado o “maior carnaval fora de época do país”, tem causado polêmica e debates entre os natalenses. Principalmente, após o surgimento de uma nova variante do coronavírus, a Ômicron. Contudo, o diretor executivo do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS/UFRN), Ricardo Valentim, diz que é importante levar em consideração o cenário epidemiológico atual e do mesmo período do ano passado, e quais eventos foram realizados, por exemplo.

Ricardo Valentim diz que quadro epidemiológico é favorável – Foto: Divulgação/UFRN

Ele cita a experiência do estado com as eleições de 2020. “Esse foi um grande evento, que mobilizou todas as pessoas envolvidas no processo eleitoral, inclusive todos os eleitores que não estavam vacinados. E, naquele período, tivemos uma explosão de casos. Chegamos a ter, em média, mais de 600 casos por dia pós-eleição. Hoje o cenário é exatamente oposto”, afirma o cientista.

Atualmente, vários eventos de grande porte têm sido realizados em toda extensão do território potiguar, principalmente nos pontos turísticos mais famosos, como as praias da Pipa e São Miguel do Gostoso. Mas, segundo Valentin e dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) diariamente, é perceptível uma redução no número de pessoas que testam positivo para a Covid-19.

Valentim explica que essa redução é causada por uma barreira sanitária criada pelo avanço da aplicação das vacinas contra a Covid, que no RN, a primeira dose, já chegou a 90% de toda a população adulta. “Além das vacinas, ainda temos o uso obrigatório de máscaras, que é outra barreira importante, principalmente em ambientes fechados. Então, considerando o cenário de 2020 com o cenário atual, a avaliação do Lais é que a realidade de novembro e dezembro de 2021 é mais segura para o planejamento e realização de eventos do que em 2020”, garante o diretor do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde.

A 30ª edição do Carnatal acontece entre os dias 9 e 12 de dezembro, no entorno da Arena das Dunas com 13 blocos – Foto: Dayvissom Melo/Novo

O pesquisador ressalta a importância de todos os foliões estarem com o esquema vacinal completo, com a primeira e segunda dose e, para as pessoas que já estão aptas, a dose de reforço. “É isso que vai garantir a segurança. É importante lembrar que, em aglomerações, é fundamental o uso da máscara”, conclui.

A Ômicron

Essa é mais uma variante do coronavírus dentre as mais de quatro mil já detectadas ao redor do mundo. Batizada como Ômicron, a variante foi detectada na Holanda e na África do Sul e gerou preocupação na Organização Mundial de Saúde (OMS), pelo número de mutações que ela apresentou. Até o momento, a Ômicron  apresenta 50 mutações, algumas delas inéditas.

Ricardo Valentim lembra que essa é uma variante recém-descoberta, por isso ainda é cedo para se afirmar algo sobre ela. “Os documentos relatam sintomas bem mais leves do que a Delta, sem registro de perda de olfato ou paladar. Aparentemente, o nível de adoecimento é menor; muito mais do que de outras variantes”, afirma.

“Clinicamente, o que estamos vendo na África do Sul, e eu estou no epicentro realizando atendimentos, são casos extremamente leves. Ninguém precisou ser internado”, declarou à imprensa  Angelique Coetzee, médica e cientista responsável pela descoberta da variante B.1.1.529, posteriormente batizada como Ômicron. Contudo, ela afirma que é necessário mais tempo para avaliar o efeito da infecção em pessoas mais vulneráveis.

Diante desses fatos, Valentim lembra que “há uma forte probabilidade das vacinas em uso protegerem contra essa variante, também. Mas ainda não há um pronunciamento técnico-científico dos fabricantes”.

O Carnatal

A 30ª edição do Carnatal acontece entre os dias 9 e 12 de dezembro, no entorno da Arena das Dunas com 13 blocos, além dos camarotes. Leia mais aqui.