Daniela Freire, jornalista
Marinho está sendo apontado pela própria equipe de Flávio como o responsável por uma das piores gestões de crise de um candidato já vistas. “A postura de Rogério Marinho é apontada como muito centralizadora”
Publicado 25 de maio de 2026 às 16:15
Responsável
Após desistir de disputar o Governo do RN para coordenar a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência — que até então ia de vento em popa —, o senador Rogério Marinho tem passado por momentos difíceis. A gigantesca crise na campanha bolsonarista recaiu sobre os ombros do parlamentar potiguar. A turbulência foi desencadeada pelo vazamento de áudios do “Zero 01” cobrando de Daniel Vorcaro, do Banco Master, milhões de reais oriundos de verbas públicas e de fraudes contra idosos. O cenário se agravou com a sequência de informações descobertas sobre a real finalidade desse dinheiro (que não foi integralmente investido no filme Dark Horse, produção de quinta categoria sobre Jair Bolsonaro), somada às mentiras e contradições do pré-candidato.
Intrometido
Segundo a jornalista Letícia Casado, do portal UOL, Marinho está sendo apontado pela própria equipe de Flávio como o responsável por uma das piores gestões de crise de um candidato já vistas. “A postura de Rogério Marinho é apontada como muito centralizadora”, afirma a repórter, que acrescenta: “Tem um grupo que diz que Rogério Marinho está na coordenação, mas ele quer atuar como advogado, quer atuar como assessor de imprensa, como uma pessoa responsável pela agenda. Ele não deixa ninguém fazer nada. E, inclusive, ele se intrometeu na estratégia de comunicação dessa crise e na estratégia do marketing, nas peças. Ele estava dando palpite sobre tudo”.
Centralizador
Vale lembrar que o Blog Daniela Freire, hospedado no portal NOVO Notícias, repercutiu, na semana passada, a informação da mesma jornalista do UOL de que Rogério Marinho foi quem fez o media training com Flávio Bolsonaro em meio à grave crise de imagem do presidenciável. O senador potiguar preparou uma sabatina, realizada pelos próprios aliados, para que Flávio treinasse respostas sobre a estreita relação descoberta entre ele e Vorcaro.
Amadores
O engenheiro e professor aposentado do curso de Engenharia da UFRN, João Abner, avaliou a engorda de Ponta Negra durante entrevista ao programa Tamo Junto, da 88 FM (Rádio Universitária): “É uma obra que foi mal conduzida. A impressão que eu tenho é que foi feita por amadores”, disparou. João Abner é um reconhecido especialista em drenagem urbana, responsável por obras como o saneamento dos bairros Capim Macio e 4° Centenário, além de ter sido um dos coordenadores do Novo Plano Diretor em vigor em Natal.
Mentiras
Na avaliação de João Abner, a Prefeitura utilizou “a ausência de debate” sobre a engorda “como estratégia política”. “Não houve debate! Tudo muito rápido”, disse, alertando para as mentiras que vêm sendo contadas sobre a obra pelas gestões de Álvaro Dias e Paulinho Freire, principalmente por meio do secretário da Semurb, Thiago Mesquita. “Até hoje, no presente momento, a Prefeitura está divulgando inverdades [sobre a engorda de Ponta Negra] absurdas”, ressaltou o professor.
Reação
O especialista também chamou a atenção para a atuação da mídia da capital em relação à abordagem do tema. “Apenas apresentou a versão da Prefeitura”, garantiu, enfatizando que tentou alertar sobre os problemas, mas não conseguiu ser ouvido pela gestão Álvaro Dias.
Ezequiel falou
Ao ser questionado sobre a possibilidade de sua irmã, a vice-prefeita de Currais Novos, Milena Galvão, compor a chapa majoritária do PT na disputa pelo Governo do Estado ao lado do pré-candidato Cadu Xavier, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ezequiel Ferreira, adotou a máxima do pragmatismo político. “Em política, tudo é possível”, disparou, embora tenha feito questão de ressaltar que, no momento, “não há nenhuma decisão sobre isso”. A fala do parlamentar ocorreu durante entrevista na 19ª edição do Cactus Moto Fest, grande evento realizado neste fim de semana no município.
Fator surpresa
Para justificar o cenário de incerteza, as reviravoltas e a possibilidade de sua irmã ser, sim, vice na chapa petista, Ezequiel relembrou como Milena Galvão entrou na política majoritária de Currais Novos. Segundo o deputado, o nome de sua irmã não constava em nenhum planejamento inicial do grupo. A indicação para a vice-prefeitura nasceu de uma “conclamação” direta de lideranças locais — como Lucas e o ex-prefeito Odon Valério —, que bateram à porta de seu gabinete na ALRN para pedir o nome de Milena, baseadas em um forte “sentimento popular”.
Do conforto aos palanques
O deputado destacou o sacrifício pessoal da irmã ao aceitar a missão política na época, lembrando que Milena abriu mão do “conforto de seu trabalho como advogada” para encarar uma campanha que acabou saindo vitoriosa. O resgate dessa história serve como um recado sutil aos bastidores: se houver apelo popular e convergência de forças na aliança com o PT e Cadu Xavier, Milena Galvão estará pronta para deixar novamente a zona de conforto e encarar o desafio da chapa majoritária estadual.
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