Valor de R$ 1,2 bilhão ainda é uma estimativa inicial apresentada pelo grupo que originou a Manifestação de Interesse Privado (MIP). Foto: Reprodução

Valor de R$ 1,2 bilhão ainda é uma estimativa inicial apresentada pelo grupo que originou a Manifestação de Interesse Privado (MIP). Foto: Reprodução

Cotidiano

Capital Prefeitura planeja transferir centro administrativo para a Ribeira em projeto bilionário

Projeto estimado em R$ 1,2 bilhão prevê transferência de órgãos municipais, moradias, corredor cultural e incentivo à economia criativa no bairro histórico de Natal

por: NOVO Notícias

Publicado 25 de maio de 2026 às 16:00

A transferência do centro administrativo da Prefeitura do Natal para a Ribeira é a principal aposta da gestão municipal para impulsionar a revitalização do bairro histórico e estimular a ocupação econômica e social da região. O projeto, estimado inicialmente em R$ 1,2 bilhão, prevê a instalação de órgãos e secretarias municipais em um complexo com capacidade para cerca de 4 mil servidores, o que deve ampliar a circulação diária de pessoas e incentivar a abertura de novos comércios, restaurantes e serviços.

A proposta ainda está na fase de estudos de viabilidade técnica, econômica e jurídica, desenvolvidos por meio de um Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI). Segundo o secretário municipal de Concessões, Parcerias, Empreendedorismo e Inovação, Arthur Dutra, duas empresas manifestaram interesse em elaborar os estudos, mas apenas uma cumpriu todos os requisitos exigidos pelo edital e está sendo analisada pelo Conselho Gestor das PPPs do município.

“O cronograma prevê 210 dias, cerca de sete meses, para a conclusão dos estudos técnicos após a autorização do consórcio responsável. Depois disso, o material será analisado por uma Comissão de Avaliação e Seleção, que vai indicar qual modelagem será mais vantajosa para o Município”, explicou o secretário.

Arthur Dutra ressaltou que o valor de R$ 1,2 bilhão ainda é uma estimativa inicial apresentada pelo grupo que originou a Manifestação de Interesse Privado (MIP). “Somente após a conclusão dos estudos saberemos qual será o valor efetivo do investimento e de onde virão os recursos, se por meio de PPP, concessão ou outro modelo jurídica e economicamente viável para a Prefeitura”, afirmou.

Apesar de ainda não haver uma data oficial para o início das obras, a Prefeitura considera a transferência da estrutura administrativa um dos pilares do projeto de revitalização. “O centro administrativo vai gerar um grande fluxo diário de pessoas na Ribeira. A definição de quais secretarias irão primeiro e o cronograma das mudanças também serão apontados pelos estudos”, disse Arthur Dutra.

A gestão municipal afirma, no entanto, que a proposta vai além da ocupação administrativa. O plano inclui a criação de um “Corredor Cultural” e do “Ribeira Living Lab”, espaço voltado à tecnologia, inovação e economia criativa. A ideia é integrar atividades culturais, turismo, moradia e comércio para garantir ocupação permanente do bairro e combater o esvaziamento urbano registrado nas últimas décadas.

“O projeto não se resume a prédios públicos, mas a uma requalificação integrada da Ribeira e da Cidade Alta, incluindo novos empreendimentos residenciais e comerciais”, destacou Arthur Dutra.

O secretário municipal de Planejamento, Vagner Araújo, comparou a proposta a experiências de revitalização urbana realizadas em outras capitais brasileiras, como o Recife Antigo e o Porto Maravilha, no Rio de Janeiro. Segundo ele, a Prefeitura trabalha de forma cautelosa para evitar criar expectativas antes da conclusão dos estudos.

“Pela primeira vez temos um projeto sustentável economicamente, aliado à preservação do patrimônio histórico e cultural da Ribeira. A transferência do complexo administrativo já garante a circulação de milhares de pessoas por dia, o que cria demanda para lojas, restaurantes e serviços”, afirmou.

A preservação do patrimônio histórico é apontada pela gestão como uma das premissas centrais do projeto. De acordo com Arthur Dutra, os estudos terão de respeitar rigorosamente as normas da Área Especial de Preservação Cultural (AEPC) e incluir um diagnóstico social detalhado sobre os impactos para comerciantes, moradores e populações vulneráveis da região.

Além disso, a Prefeitura promete realizar audiências e consultas públicas após a conclusão dos estudos e antes da definição do modelo final do projeto. “Queremos garantir transparência e participação da comunidade em todas as etapas”, afirmou o secretário.

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