Hoje, faixa preta 5º Dan, Alexandre comanda o Projeto Futuro Campeão, iniciativa social que atende cerca de 400 crianças e adolescentes. Foto: Cedida
Ele começou no esporte em 1996, já adulto, motivado por uma imagem que guardou desde 1988: o judoca brasileiro Aurélio Miguel ajoelhado, de braços abertos, após conquistar o ouro olímpico em Seul
Publicado 27 de maio de 2026 às 16:19
Alexandre Magno Ferreira tinha 20 anos quando pisou num tatame pela primeira vez. Era o ano de 1996. Trinta anos depois, aos 50, ele vai sentar no banco técnico da Seleção Brasileira de Judô no Sul-Americano Cadete, em Lima, no Peru. O torneio será realizado de 1º a 4 de junho.
A convocação é a segunda da carreira. A primeira foi em 2019, no Pan-Americano de Guadalajara, no México. Desta vez, o chamado veio para a categoria cadete. “Essa convocação vem no melhor momento da minha carreira e foi recebida com muita alegria”, disse o técnico, conhecido no meio do judô natalense como Sensei Alexandre.
Criado na comunidade do Mereto, bairro do Bom pastor, zona Oeste da capital potiguar, ele começou no esporte em 1996, já adulto, motivado por uma imagem que guardou desde 1988: o judoca brasileiro Aurélio Miguel ajoelhado, de braços abertos, após conquistar o ouro olímpico em Seul.
O judô só ficou acessível quando a família se mudou para o bairro de Candelária, onde a mãe foi trabalhar como zeladora numa igreja evangélica. Ali, uma academia próxima ao novo endereço mudou o rumo da história. Lá ele conheceu a Sensei Ivanusia Câmara, que o introduziu no esporte.
Hoje, faixa preta 5º Dan, Alexandre comanda o Projeto Futuro Campeão, iniciativa social que atende cerca de 400 crianças e adolescentes oriundos das periferias de Natal e de municípios vizinhos como Parnamirim, São José de Mipibu, Brejinho, Senador Georgina Avelino, Arez, São Paulo do Potengi e São Gonçalo do Amarante. O projeto já formou campeões brasileiros, sul-americanos, um medalhista panamericano e uma campeã mundial escolar.
“Chegar à Seleção Brasileira não é um mérito só meu. O apoio dos meus amigos, dos alunos e pais de alunos do CEI Romualdo (Colégio particular de Natal), do Projeto Futuro Campeão, da Federação e do presidente Shaolin (Herbet Maia) tem sido decisivo nessa caminhada. Sem o respaldo da Federação, muitos atletas e técnicos não teriam as condições necessárias para chegar até aqui”, afirmou.
Para o presidente da Federação de Judô do Rio Grande do Norte (FJERN), Herbet Maia (Shaolin), a segunda convocação de Alexandre é consequência direta de um trabalho construído com consistência. “É a prova de que o trabalho sério e democrático da FJERN está gerando frutos. Cada convocação dessas vale por um campeonato”, festejou Shaolin, que vem promovendo um trabalho de interiorização do judô no RN.
RN também conta com atletas e árbitro em Lima
O Rio Grande do Norte chega ao Sul-Americano Cadete representado em três frentes. Além do Sensei Alexandre Magno na comissão técnica da seleção, as atletas Lívia Rodrigues (-63kg) e Laryssa Santos (-40kg) vão competir nos tatames de Lima. O árbitro Laedson Lopes integra a delegação na supervisão de arbitragem.
A delegação brasileira conta ainda com atletas do Mato Grosso do Sul, Maria Eduarda Fasciani Miziara (-48kg) e Henrique Bastos (-50kg), e o judoca Márcio Roberto, que passou por estágio de preparação em Portugal antes da competição. O técnico Diogo Rocha, também do Mato Grosso do Sul, completa a comissão técnica.
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