Daniela Freire, jornalista
O fato novo é que ela publicou uma peça de marketing para exaltar as qualidades do aliado. O grupo governista precisa fortalecer o apoio a Cadu na luta para que ele cresça nas pesquisas
Publicado 22 de junho de 2026 às 16:15
Aposta de Natália
A deputada federal Natália Bonavides utilizou suas redes sociais para oficializar um movimento estratégico na engrenagem governista de olho nas eleições de outubro. Em vídeo direcionado à militância e aos eleitores, a parlamentar apresentou oficialmente o nome de Cadu Xavier como seu pré-candidato à sucessão estadual. É óbvio que não é nenhuma novidade que Cadu é o candidato de Natália; o fato novo é que ela publicou uma peça de marketing para exaltar as qualidades do aliado. O grupo governista precisa fortalecer o apoio a Cadu na luta para que ele cresça nas pesquisas.
O “cara das Finanças”
Como principal argumento de sua fala, Bonavides buscou associar a imagem de Cadu diretamente ao equilíbrio fiscal do Estado. A deputada destacou que o gestor foi a figura central na condução das finanças estaduais ao longo dos últimos sete anos, atuando lado a lado com a governadora Fátima Bezerra. Segundo Natália, coube a ele a missão de “cuidar e organizar o governo”, viabilizando a regularização dos salários do funcionalismo, investimentos na segurança e a recuperação da malha rodoviária potiguar.
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A grife “Time de Lula”
Além do perfil técnico, a postagem tratou de consolidar a identidade ideológica do governadorável com o eleitorado de esquerda. Cadu Xavier foi apresentado como “o Cadu de Lula”, reforçando sua vinculação histórica ao movimento sindical e ao funcionalismo público. A tática visa a unificar a base em torno de uma alternativa que concilie a rigidez administrativa com a sensibilidade às pautas populares. “É um cara sensível às pautas populares”, ressalta a parlamentar no vídeo.
O “Ficha Limpa”
O tom da manifestação de Natália também mirou o contraste ético frente aos principais opositores do PT na disputa: Allyson Bezerra e Álvaro Dias [0]. Em um trecho de sua fala, a deputada sublinhou as credenciais de integridade de seu escolhido: “É ficha limpa, é honesto, sem Polícia Federal na porta, nem obra inacabada no currículo”. A fala antecipa uma das principais linhas discursivas da pré-campanha governista, que promete explorar a blindagem jurídica e a entrega de resultados de Xavier para consolidá-lo como um nome viável na disputa pelo Governo.
Incômodo
O atentado contra o vereador Cabo Deyvson (PL), em Mossoró, tem gerado debates políticos internos, principalmente no campo da esquerda. Exemplo disso foi o posicionamento adotado pelo ex-senador Jean Paul Prates — ex-PT e hoje no PDT — nas redes sociais. Além de destacar que a atuação de Deyvson incomoda o crime organizado porque o parlamentar “fala frontalmente sobre violência, facções e domínio territorial”, Prates chama a atenção para a trajetória do vereador, que ele considera ser um espelho da realidade vivida pelas periferias urbanas do interior potiguar, e pede autocrítica do campo progressista sobre o tema.
Autocrítica
Jean Paul Prates chamou a atenção para os “erros que a própria esquerda muitas vezes comete” ao avaliar lideranças com o perfil de Cabo Deyvson. Segundo ele, há uma falha de percepção e de diálogo com figuras que emergem da dura realidade das periferias e que nem sempre encontram eco nos discursos tradicionais da esquerda. Para Prates, nem tudo cabe nas “caixinhas ideológicas” da esquerda e deve haver a quebra de estereótipos políticos. Ele defende que o debate público precisa superar rótulos simplistas, afirmando que o vereador não se encaixa facilmente em um perfil de extrema direita. “Nem toda indignação popular que aparece com linguagem dura pertence, naturalmente, à extrema direita”, concluiu.
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