Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa) - Eduardo Mendonça/Assecom/UFERSA

Cotidiano

Dinheiro Bloqueio de verbas acende alerta nas universidades federais do RN

Limitação de recursos impõe incertezas para o segundo semestre e ameaça investimentos em pesquisa e infraestrutura

por: NOVO Notícias

Publicado 22 de junho de 2026 às 16:00

O novo contingenciamento de R$ 1,6 bilhão no orçamento do Ministério da Educação (MEC), anunciado pelo governo federal por meio do Decreto nº 12.990, de 29 de maio de 2026, reacendeu preocupações entre gestores das instituições federais de ensino superior. Embora o Ministério da Educação tenha informado que o bloqueio não recairá diretamente sobre as universidades federais, a limitação na liberação de recursos financeiros já provoca apreensão quanto ao funcionamento das instituições no segundo semestre.

No Rio Grande do Norte, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e a Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa) acompanham o cenário com cautela. O principal temor não está necessariamente na perda formal de orçamento, mas na dificuldade de acesso aos recursos necessários para manter contratos, serviços essenciais e investimentos.

A medida integra o esforço do governo federal para cumprir as metas estabelecidas pelo novo arcabouço fiscal, que prevê mecanismos de contenção de despesas quando há risco de descumprimento das metas fiscais. Na prática, o contingenciamento limita temporariamente a execução de parte dos recursos autorizados no Orçamento da União.

Na UFRN, o orçamento total proveniente do Tesouro Nacional para 2026 é de aproximadamente R$ 2,3 bilhões. Desse total, cerca de R$ 207 milhões correspondem ao orçamento discricionário — parcela destinada ao custeio da instituição, investimentos e assistência estudantil.

Segundo o reitor José Daniel Diniz Melo, a universidade enfrenta dificuldades decorrentes da liberação parcial dos recursos. “Atualmente, o orçamento discricionário está autorizado em apenas sete doze avos do total previsto para o ano, o que dificulta o planejamento da execução orçamentária”, afirma.

Além disso, uma emenda de bancada destinada à instituição permanece bloqueada.

Embora a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) tenha recebido do MEC a garantia de que o bloqueio de R$ 1,6 bilhão não atingirá diretamente as universidades federais, a principal preocupação está na limitação financeira para pagamentos.

“A assistência estudantil, as contas de água e energia e os contratos de pessoal terceirizado dependem desses recursos. São áreas prioritárias, mas a médio prazo a situação dificulta a manutenção da infraestrutura, da pesquisa e da extensão”, explica o reitor.

Pesquisa e inovação sob risco

Os reflexos mais profundos podem aparecer justamente nas áreas responsáveis pela produção de conhecimento.

Na avaliação da UFRN, a restrição financeira pode comprometer projetos de pesquisa que dependem da compra de insumos, manutenção de equipamentos, atividades de campo e concessão de bolsas.

Os programas de extensão, que promovem ações sociais, culturais e tecnológicas junto à população, também podem sofrer redução de alcance caso o cenário persista.

A preocupação não é isolada. Nos últimos anos, universidades federais em todo o país têm relatado dificuldades crescentes para renovar laboratórios, atualizar equipamentos e manter estruturas de pesquisa de ponta.

Assistência estudantil preservada, mas demanda cresce

Outro ponto sensível é a assistência estudantil, considerada essencial para garantir a permanência de alunos em situação de vulnerabilidade econômica.

Na UFRN, a administração garante que os recursos destinados à área seguem sendo tratados como prioridade. Ainda assim, o reitor reconhece que o orçamento disponível já não acompanha o aumento da demanda. “A preservação desses recursos é estratégica para reduzir a evasão e promover a inclusão. Entretanto, os valores destinados à assistência estudantil têm se mostrado insuficientes diante da crescente procura por apoio”, afirma.

Na Ufersa, a situação permanece estável. Em nota, a instituição informou que não houve necessidade de alterar programas de assistência estudantil nem de revisar contratos ou reduzir despesas operacionais.

A universidade destacou ue está monitorando a publicação de portarias e se soma às articulações da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES) para garantia de manutenção do financiamento do ensino superior.

Conforme comunicado oficial da Diretoria da Andifes, após reunião realizada com a Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), foi reafirmado que o bloqueio orçamentário anunciado anteriormente pelo Governo Federal não recairá sobre as Instituições Federais de Ensino Superior (IFES).

Neste momento, a UFERSA segue operando normalmente e não registra a suspensão de atividades acadêmicas, científicas, de inovação, pesquisa ou extensão em decorrência das medidas anunciadas. Contudo, a Universidade mantém monitoramento constante do cenário, uma vez que as condições na liberação de recursos financeiros podem impactar o planejamento e a execução de ações institucionais caso a situação se prolongue.

Em relação aos estudantes, especialmente aqueles atendidos por programas de assistência estudantil, a UFERSA permanece comprometida com a manutenção das políticas de permanência e inclusão. Até o presente momento, não houve necessidade de alterações nos programas executados pela instituição em razão das medidas em discussão.

Da mesma forma, a Universidade não realizou, até o momento, revisão de contratos ou redução de despesas operacionais decorrentes do cenário apresentado. A UFERSA seguirá acompanhando as tratativas conduzidas pela ANDIFES junto ao Ministério da Educação e aos demais órgãos do Governo Federal.

Segundo semestre dependerá de suplementação

Na avaliação da reitoria da UFRN, o orçamento aprovado para 2026 já era insuficiente antes mesmo da publicação do decreto de contingenciamento.

Durante a tramitação da Lei Orçamentária Anual no Congresso Nacional, os valores inicialmente previstos sofreram reduções e precisaram ser parcialmente recompostos após negociações conduzidas pelo Ministério da Educação.

Mesmo assim, a universidade avalia que será necessária uma suplementação orçamentária ainda neste segundo semestre para garantir o cumprimento de todos os compromissos financeiros.

“As universidades federais esperam contar com o apoio e a sensibilidade do Governo Federal e do Congresso Nacional para assegurar a sustentabilidade de suas ações”, afirma José Daniel Diniz Melo.

Enquanto aguardam definições sobre a liberação dos recursos, as instituições federais do Rio Grande do Norte seguem monitorando o cenário. Por enquanto, aulas, pesquisas e programas de assistência permanecem preservados. O desafio será manter esse equilíbrio caso as restrições financeiras avancem nos próximos meses.

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