A previsão atual é de que o El Niño tenha maior intensidade entre dezembro de 2026 e janeiro de 2027. | Foto: Reprodução

Cotidiano

Clima No RN, El Niño poderá gerar somente elevação de temperatura

Diante das discussões sobre a intensidade do fenômeno climático, chefe do setor de meteorologia da Emparn, Gilmar Bistrot, explica como o estado poderá ser afetado para tranquilizar a população

por: NOVO Notícias

Publicado 1 de junho de 2026 às 16:30

Nas últimas semanas tem sido amplamente noticiada a possibilidade de que este ano o El Niño — fenômeno caracterizado pela alteração de temperatura das águas do Oceano Pacífico — seja mais intenso e que as consequências sejam mais severas. No sul do Brasil, por exemplo, Santa Catarina já decretou alerta climático por conta do fenômeno.

Diante da discussão, o chefe do setor de meteorologia da Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN (Emparn), Gilmar Bistrot, gravou um vídeo explicando o que deve ocorrer no Estado. Segundo ele, ao contrário de outras regiões, El Ninõ não deve trazer efeitos drásticos para o Nordeste e estado.

“A atuação da presença do El Niño nessa época do ano, principalmente agora na segunda quinzena, onde ele tende a apresentar o seu ápice, o seu valor maior, durante os meses de setembro, outubro e novembro; esse episódio não vai trazer consequências aqui para a região Nordeste e aqui para o estado do RN. Porque nós não temos avariação de ocorrência de chuva, sistemas meteorológicos que atuam aqui nessa época do ano”, explicou.

De acordo com ele, o que pode ocorrer é a elevação da temperatura. “Nós poderemos ter aumento da temperatura e diminuição do vento no período que mais venta aqui no, no estado, que são os meses de agosto até outubro”, detalhou.

O chefe do setor de meteorologia da Emparn disse ainda que a explicação sobre os efeitos do El Niño no RN servia também para tranquilizar a população diante de tantas notícias sobre a intensidade do fenômeno este ano. “Nós não teremos aí mudanças climáticas significativas no comportamento do tempo por conta da presença do fenômeno El Niño”, afirmou.

A única ressalva que ele fez foi para o caso do fenômeno se estender para os primeiros meses de do ano que vem. “A não ser que esse El Niño tenha uma extensão no seu tempo e atinja também os primeiros meses de 2027, para assim influenciar de forma negativa na ocorrência de chuvas na região semiárida, mas por enquanto a, as consequências maiores estariam restritas aí às regiões Sul e Sudeste”, concluiu.

Os estudos mais recentes, tanto nacionais quanto do National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) – órgão do governo dos Estados Unidos que observa condições climáticas, indicam probabilidade acima de 80% de ocorrência do El Niño já em julho.

A situação no começo de maio era de neutralidade (temperatura das águas dentro do esperado para a região tropical do Pacífico), com aquecimento de mais de meio grau a partir de julho.

O fenômeno caracteriza-se pela alteração de temperatura das águas do Oceano Pacífico.

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A previsão atual é de que o El Niño tenha maior intensidade entre dezembro de 2026 e janeiro de 2027, segundo a agência norte-americana e uma das referências no estudo do El Niño e do La Niña.

Cemaden

Em meados de maio, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) divulgou documento com análises atualizadas sobre a possível formação do fenômeno climático e seus impactos no território gaúcho. O texto aponta para a “possibilidade de formação de um novo episódio de El Niño ao longo de 2026, com maior probabilidade de atuação durante a primavera deste ano e o verão de 2027”.

Conforme os especialistas, os cenários atuais “sugerem tendência de chuvas acima da média em diferentes regiões do Rio Grande do Sul, além de temperaturas superiores ao padrão climatológico em determinados períodos”.

Um dos boletins do NOAA indicou um risco aumentado de mais de dois graus de variação entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027, o que levou a um alerta para a costa oeste dos Estados Unidos, que se prepara para temporais mais intensos e inundações.

Institutos ligados ao Ministério da Agricultura e da Ciência, Tecnologia e Inovação têm alertado para risco de chuvas no Sul e de maior dificuldade na produção de alimentos, com instabilidade para culturas alimentares, como arroz, feijão e milho.

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