Falta de cartórios e custo de transporte impedem famílias de registrar recém-nascidos no RN. | Foto: Divulgação/CNJ

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Direitos Sem documento e sem direitos: Mais de 50 cidades do RN têm aumento do número de crianças sem registro de nascimento

Dados do IBGE revelam que mais de 250 crianças ficaram sem certidão de nascimento no estado; falta de documento trava acesso a serviços básicos e benefícios sociais

por: NOVO Notícias

Publicado 21 de maio de 2026 às 14:49

O Rio Grande do Norte teve um aumento no número de crianças que nasceram e ficaram sem o registro de nascimento em 2024. Conforme dados do IBGE, o índice de sub-registro subiu para 0,72%, o que significa que pelo menos 270 bebês ficaram sem o documento oficial no estado.

O problema atinge diretamente a vida do cidadão, já que a falta da certidão de nascimento impede o acesso imediato a serviços públicos essenciais, como atendimento em postos de saúde, matrículas em creches e a inclusão em programas sociais do governo.

A situação é ainda mais grave no interior do estado. Conforme o levantamento oficial, mais de 50 municípios potiguares ficaram com percentuais de desassistência acima de 1%. O caso mais crítico é o de Lagoa de Velhos, onde quase metade das crianças nascidas (49,8%) ficou sem o registro oficial em cartório.

Outras cidades como Francisco Dantas (16,67%), Patu (14,71%) e São Fernando (9,69%) também acenderam o sinal de alerta com índices elevados.

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De acordo com a análise do IBGE, a vulnerabilidade social e a crise econômica são os principais motivos para o abandono cartorial. O fechamento de cartórios em pequenas cidades e o custo elevado do transporte para o deslocamento até municípios vizinhos impedem que as famílias mais pobres consigam emitir o documento dos filhos.

Mais de 1.700 mortos sem registro

O relatório do IBGE também apontou a realidade dos óbitos invisíveis no estado. Embora o sub-registro de mortes tenha recuado para 7,22% em 2024, o número ainda assusta: 1.737 pessoas morreram e não foram registradas oficialmente no Rio Grande do Norte.

Novamente, o município de Lagoa de Velhos aparece em situação de extrema gravidade, ocupando a quinta posição no ranking nacional de sub-registro de óbitos, com 66,89% das mortes sem certidão.

Cidades como Pedra Grande (22,37%), João Dias (21,22%) e Rio do Fogo (20,44%) também registraram taxas alarmantes, onde mais de um quinto das mortes locais ocorreu sem o devido processo legal nos cartórios.