Nova linha de crédito deve usar recursos do BNDES para financiar veículos de até R$ 150 mil. | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Programa federal exige mínimo de 100 corridas no ano e prioriza veículos a etanol ou flex; especialistas alertam para risco de inflação em ano eleitoral
Publicado 19 de maio de 2026 às 11:31
O governo federal anunciou, nesta terça-feira (19), um programa de R$ 30 bilhões em financiamento subsidiado para que motoristas de aplicativo e taxistas troquem de veículo. A medida mira diretamente os trabalhadores autônomos, mas traz regras rígidas: carros movidos exclusivamente a gasolina ou diesel estão totalmente excluídos da nova linha de crédito.
Para garantir o financiamento, que cobre veículos de até R$ 150 mil, o motorista precisa comprovar a realização de, no mínimo, 100 corridas nos últimos 12 meses. Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, o Palácio do Planalto definiu que os juros cobrados serão inferiores à taxa Selic — atualmente em 14,5% ao ano —, sendo que as mulheres motoristas terão direito a um subsídio ainda maior.
A exclusão de motores puros a gasolina e diesel faz parte da estratégia de priorizar combustíveis renováveis, como o etanol. A operação financeira deve ser coordenada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os R$ 30 bilhões liberados serão contabilizados como despesa financeira, ficando fora do cálculo do resultado primário do governo.
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O pacote de bondades é lançado em meio a um cenário político tensionado. O presidente Lula, que disputa a reeleição em outubro, aparece em empate técnico com Flávio Bolsonaro (PL), de acordo com dados recentes do Datafolha. O financiamento se soma a outras medidas populares recentes, como a revogação da taxa sobre compras internacionais e o subsídio de até R$ 0,89 no litro da gasolina.
Apesar do alívio prometido aos motoristas, analistas de mercado e especialistas em contas públicas já questionam o custo fiscal do pacote. Há um alerta real para o risco inflacionário gerado pela injeção massiva de crédito na economia em um curto espaço de tempo.
Por outro lado, o governo federal defende a urgência das ações. A gestão atribui parte das medidas econômicas recentes aos impactos diretos do conflito no Oriente Médio, que pressionou severamente os preços do petróleo e dos combustíveis no mercado internacional.
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