FENAM leva debate sobre trabalho médico à Organização Internacional do Trabalho
O evento reuniu lideranças médicas, estudantes, sindicalistas e representantes internacionais em torno de temas como precarização das relações de trabalho, saúde mental dos profissionais, formação médica e sustentabilidade do sistema de saúde
Publicado 2 de maio de 2026 às 13:01
O Congresso Extraordinário da Federação Nacional dos Médicos (FENAM), realizado em Natal dentro do Encontro Médico Ibero-Americano, encerrou neste sábado (2) três dias de debates sobre os desafios do trabalho médico no Brasil e no exterior. O evento reuniu lideranças médicas, estudantes, sindicalistas e representantes internacionais em torno de temas como precarização das relações de trabalho, saúde mental dos profissionais, formação médica e sustentabilidade do sistema de saúde.
Entre os assuntos mais debatidos estiveram a pejotização da medicina, o adoecimento mental dos profissionais da saúde, a violência digital contra médicos, a abertura indiscriminada de cursos de medicina e os impactos da reforma tributária sobre clínicas e profissionais liberais.
A programação também contou com a tradicional Caminhada do Trabalhador, realizada há 14 anos no Rio Grande do Norte, reunindo médicos e representantes de diversos países em defesa do tema “Trabalho decente é trabalho legal”.
Outro destaque foi a homenagem concedida ao senador Dr. Hiran Gonçalves, reconhecido pela atuação em defesa das pautas da saúde e da categoria médica no Congresso Nacional.
Um dos momentos de maior repercussão foi a palestra da desembargadora federal do trabalho Ivani Contini Bramante, que abordou os desafios enfrentados pelas entidades sindicais no Brasil e o fenômeno que definiu como “sindicatofobia”. O debate foi complementado pela participação do superintendente do Ministério Público do Trabalho no RN, Claudio Gabriel Macedo, que destacou o papel constitucional dos sindicatos nas relações trabalhistas.
“A relação entre empregado e empregador é desigual. Por isso a Constituição reconhece a importância do sindicato como instrumento de equilíbrio nessa relação”, afirmou.

Também ganhou destaque o painel sobre formação médica, que reuniu médicos e estudantes em defesa de critérios mais rigorosos para autorização e funcionamento de faculdades de medicina no país.
No eixo internacional, representantes de países ibero-americanos defenderam maior integração entre as entidades médicas para fortalecer a luta por condições dignas de trabalho e proteção institucional aos profissionais da saúde.
O encerramento do encontro culminou na aprovação da Carta de Natal, do Estatuto e Constituição da Confederação Nacional dos Médicos e da Carta do Encontro Médico Ibero-Americano. Os documentos reúnem propostas e diretrizes voltadas à valorização médica, fortalecimento sindical, defesa do trabalho digno e aproximação da FENAM com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
“Estamos tratando de uma crise global nas relações de trabalho na saúde. E isso impacta diretamente a qualidade da assistência prestada à população”, destacou o presidente da FENAM, Geraldo Ferreira.
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