Delegado Luciano Augusto, titular da 85ª Delegacia de Polícia Civil de João Câmara. Foto: PCRN

Polícia

Plano Advogada é denunciada por intermediar plano de facção para matar delegado no RN, diz MP

Investigação do MPRN aponta que profissional levava ordens de líder preso a criminosos nas ruas; atentado seria resposta a operações policiais em João Câmara

por: NOVO Notícias

Publicado 29 de abril de 2026 às 08:32

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) denunciou integrantes de uma facção criminosa e revelou o papel de uma advogada na articulação de um plano para assassinar o delegado Luciano Augusto, titular da 85ª Delegacia de Polícia Civil de João Câmara, no interior do estado.

De acordo com a investigação, a profissional utilizava visitas a unidades prisionais para atuar como intermediária entre um líder da facção, detido no sistema prisional, e membros do grupo que estavam em liberdade. As mensagens repassadas incluíam orientações sobre o tráfico de drogas e a execução de ataques, incluindo o planejamento do homicídio do delegado.

O crime, segundo o MPRN, teria sido motivado pelas sucessivas operações policiais conduzidas na região, que resultaram em prejuízos financeiros à organização criminosa.

A célula investigada integra o chamado “Sindicato do Crime” e operava principalmente nas cidades de João Câmara e Caiçara do Norte, com atuação voltada ao tráfico de entorpecentes e domínio territorial. A estrutura do grupo era organizada de forma hierárquica, com divisão de funções entre comando, logística e execução.

As provas foram obtidas a partir da análise de dados extraídos de celulares apreendidos. Os aparelhos continham conversas detalhadas sobre o funcionamento da organização, além de registros que indicavam a atuação direta da advogada no repasse das ordens.

O líder do grupo, identificado como José Eduardo Souza de Lima, comandava as ações mesmo estando preso. Segundo o MPRN, a intermediação da advogada era fundamental para manter a comunicação ativa entre a liderança e os demais integrantes da facção.

Plano de execução

As investigações apontam que, para executar o atentado contra o delegado, os criminosos buscavam adquirir armamento de alto calibre, como fuzis. A ordem, transmitida pela advogada, indicava que o assassinato era prioridade para restabelecer as atividades ilícitas sem interferência policial.

O grupo acreditava que eliminar o chefe da delegacia enfraqueceria o combate ao crime organizado na região.

Além do plano de homicídio, as mensagens interceptadas revelaram a existência de regras rígidas de segurança digital entre os integrantes da facção. Entre as orientações estavam a exclusão frequente de conversas, uso de senhas complexas e a proibição de fornecer acesso a aparelhos celulares durante abordagens policiais.

A denúncia também detalha a prática de punições internas, conhecidas como “brecamentos”, aplicadas a quem desobedecesse às ordens do grupo. Essas ações tinham como objetivo manter o controle territorial por meio da intimidação.

Registros encontrados nos celulares apreendidos mostram ainda armas de grosso calibre, munições e grandes quantidades de drogas prontas para distribuição em pontos de venda.

Durante a operação policial que desarticulou a célula criminosa, diversos materiais ilícitos foram apreendidos. Segundo o MPRN, os denunciados já possuíam antecedentes criminais, e alguns se declaravam integrantes da facção no sistema prisional.

As investigações indicam ainda que o grupo pretendia expandir sua atuação para cidades vizinhas, utilizando João Câmara como base estratégica.

Posicionamento do delegado

Em declaração ao Ministério Público, o delegado Luciano Augusto afirmou que o plano de execução surgiu após o líder da facção sofrer perdas financeiras significativas e ter familiares atingidos por medidas cautelares.

“As forças de segurança adotaram todas as medidas necessárias para garantir minha segurança e da equipe. Ameaças e planos de execução não vão nos impedir de continuar combatendo o crime”, afirmou.

Após a descoberta do plano, o líder da facção e um irmão dele foram transferidos para o sistema penitenciário federal.

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