Enquanto cumpria prisão domiciliar, Monique teria coagido importante testemunha (a babá da vítima). Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Enquanto cumpria prisão domiciliar, Monique teria coagido importante testemunha (a babá da vítima). Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Cotidiano

Cadeia Monique Medeiros, ré pela morte de seu filho, Henry Borel, se entrega à Polícia Civil do RJ

Conforme a Polícia Civil do Rio de Janeiro, a mulher apresentou-se na 34ª delegacia de polícia, em Bangu, na zona oeste da capital fluminense.

por: Com informações do Estadão

Publicado 20 de abril de 2026 às 18:30

Monique Medeiros, ré pela morte de seu filho, o menino Henry Borel, em 2021, se entregou à Polícia Civil do Rio de Janeiro na manhã desta segunda-feira (20). O retorno dela à prisão foi determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, após ela ter sido solta em março; atendendo a pedido do pai do garoto, Leniel Borel de Almeida.

Conforme a Polícia Civil do Rio de Janeiro, a mulher apresentou-se na 34ª delegacia de polícia, em Bangu, na zona oeste da capital fluminense. “Contra ela foi cumprido mandado de prisão preventiva”, acrescentou a nota.

Em 23 de março, a juíza Elizabeth Machado Louro, do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), concedeu liberdade provisória à Monique sob o entendimento de que a sua prisão era ilegal em razão do “despropositado prazo da prisão”. Ela está detida de forma provisória desde 2021 – chegou a sair em 2022, mas retornou meses depois.

O argumento, contudo, foi negado por Gilmar Mendes, na última sexta-feira (17). Na decisão, o ministro destacou que a necessidade da prisão preventiva já havia sido reconhecida em julgamentos anteriores, com base na gravidade dos fatos e em indícios de coação de testemunhas, o que justificaria a medida para garantir a ordem pública e o andamento da instrução criminal.

“Enquanto cumpria prisão domiciliar, a acusada teria coagido importante testemunha (a babá da vítima), de modo a prejudicar a elucidação dos fatos”, destacou o ministro. Gilmar Mendes ainda afastou a tese de excesso de prazo, apontando que o adiamento do julgamento ocorreu por fatores atribuídos à própria defesa, como o abandono do plenário por advogado de corréu, o que, segundo ele, não caracteriza constrangimento ilegal.

O menino Henry Borel morreu na madrugada de 8 de março de 2021, aos 4 anos, no apartamento onde morava com a mãe, Monique, e o padrasto, Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, também réu e preso pelo crime.

Investigações apontam que a criança morreu após ser agredida por Jairo, e que Monique teria sido omissa em relação aos atos de violência. Já o casal alega que Henry teria caído da cama, mas a hipótese foi descartada pela perícia.

Jairinho é acusado de homicídio triplamente qualificado e tortura, enquanto Monique responde por homicídio qualificado por omissão. Ambos também são acusados de coação no curso do processo e fraude processual.

Preso em 2021, o casal foi a julgamento no último mês. Os advogados de Jairinho, no entanto, abandonaram o plenário TJ-RJ para forçar a suspensão da sessão. Logo depois, a juíza Elizabeth Machado Louro, do TJ-RJ, determinou a soltura de Monique. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) recorreu da decisão. O julgamento do casal foi remarcado para o dia 25 de maio.

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