A proporção de famílias brasileiras com dívidas atingiu o recorde de 80,4% em março. O índice do mês de fevereiro marcava 80,2%. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo divulgou os dados em seu levantamento mais recente. O percentual era de 77,1% em março do ano passado.
O cenário reflete os impactos da taxa Selic (taxa básica de juros da economia). O presidente da instituição, José Roberto Tadros, explicou que a redução dos juros demora meses para fazer efeito prático. O endividamento deve continuar em alta até que esse alívio chegue ao consumidor final.
A elevação nos preços dos combustíveis também contribui para o quadro negativo no país. O encarecimento logístico afeta o valor final das mercadorias. As famílias sofrem redução no poder de compra e recorrem ao crédito para pagar despesas básicas.
A parcela de inadimplentes (pessoas com contas em atraso) manteve a estabilidade em 29,6%. O grupo de pessoas que se consideram muito endividadas recuou levemente de 16,1% para 16%. O comprometimento médio da renda com dívidas também caiu de 29,7% para 29,6% no período.
O aumento do endividamento concentrou-se nas faixas de renda mais altas. O índice subiu de 78,7% para 79,2% entre quem ganha de cinco a dez salários mínimos. O grupo com renda superior a dez salários mensais passou de 69,3% para 69,9%.
As famílias com ganhos de até três salários mínimos mantiveram o indicador estável em 82,9%. A classe média baixa registrou uma queda no endividamento de 82,9% para 82,6% em março. O economista-chefe da instituição, Fabio Bentes, alertou para os riscos futuros na economia.
Ele ponderou que uma nova rodada de alta na inflação pressionará desproporcionalmente o orçamento das famílias mais pobres. A pesquisa considera como dívidas as faturas de cartão de crédito e o uso do cheque especial. O levantamento inclui ainda carnês de loja, prestações de imóveis e o crédito consignado (empréstimo com desconto direto no salário).
Receba notícias em primeira mão pelo Whatsapp
Assine nosso canal no Telegram
Siga o NOVO no Instagram
Siga o NOVO no Twitter
Acompanhe o NOVO no Facebook
Acompanhe o NOVO Notícias no Google Notícias