ETE Jaguaribe | Foto: Divulgação/Assecom

Cotidiano

Saneamento Natal avança em ranking, mas 451 mil ainda não têm acesso à rede de esgoto

Capital potiguar avança cinco posições no Ranking do Saneamento 2026, mas segue abaixo da média nacional na coleta de esgoto e enfrenta alto desperdício de água na rede

por: NOVO Notícias

Publicado 30 de março de 2026 às 17:45

Natal melhorou sua posição no Ranking do Saneamento 2026, mas segue enfrentando gargalos históricos. A capital potiguar subiu da 80ª para a 75ª colocação entre os 100 maiores municípios do país, segundo levantamento divulgado pelo Instituto Trata Brasil (ITB), com base em dados oficiais de 2024. O avanço de cinco posições indica evolução recente, mas os dados mostram que a cidade ainda está distante das metas nacionais de universalização dos serviços até 2033 — principalmente na coleta de esgoto e eficiência na distribuição de água.

O abastecimento de água em Natal atende 90,51% da população, um dos indicadores mais altos do município. Já a coleta de esgoto alcança 45,88% dos moradores, abaixo da média nacional, que é de 56,7%. Realizado pelo Instituto Trata Brasil (ITB), em parceria com a GO Associados, o levantamento foi feito com base nos dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), ano-base 2024, publicados pelo Ministério das Cidades.

O tratamento de esgoto chega a 57,74%, indicando que parte significativa da população ainda não conta com acesso completo aos serviços de esgotamento sanitário. Outro indicador que chama atenção é o volume de água tratada que não chega ao consumidor final. Natal registra perdas de 44,21% na distribuição, acima da média nacional, estimada em 39,5%. As perdas podem ocorrer por vazamentos na rede, ligações irregulares e falhas operacionais.

Outro ponto crítico é o desperdício: 44,21% da água tratada se perde antes de chegar às torneiras, acima da média brasileira, estimada em 39,5%. As perdas estão associadas, principalmente, a vazamentos, ligações irregulares e falhas operacionais.

O cenário se torna ainda mais preocupante quando analisado em números absolutos. Levantamento da Agência Reguladora de Serviços de Saneamento Básico do Município de Natal (Arsban) aponta que 60,1% da população não tem acesso ao esgotamento sanitário. Isso representa 451.985 pessoas — distribuídas em mais de 215 mil famílias — vivendo sem acesso a um dos serviços mais básicos de infraestrutura urbana. O cálculo considera uma média de 2,1 moradores por residência, com base na população estimada pelo IBGE.

A falta de coleta e tratamento de esgoto aumenta o risco de doenças de veiculação hídrica, como infecções intestinais, e pressiona ainda mais o sistema público de saúde. Em contrapartida, a ampliação do saneamento está diretamente associada à redução de internações e à melhoria da qualidade de vida, sobretudo nas áreas mais vulneráveis.

A principal aposta para mudar esse cenário é a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Jaguaribe, na Zona Norte de Natal. A unidade recebeu licença para operação plena, a chamada Autorização de Teste Operacionais (ATO), no início de fevereiro passado, pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema/RN). Com isso, é esperada uma transformação relevante no saneamento da capital.

Na Zona Norte, a cobertura de esgoto deve saltar dos atuais 3% para 43% no primeiro módulo, podendo chegar a 95% com a conclusão do segundo módulo. Considerando toda a cidade, a expectativa é de que a cobertura dobre, passando de cerca de 40% para 80%. A estrutura tem capacidade para atender mais de 455 mil pessoas e tratar até 420 litros de esgoto por segundo.

Apesar de a fase de testes ter sido anunciada recentemente, ainda não há previsão oficial para o início da operação completa. A Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern) informou que a ligação dos imóveis à rede será feita de forma gradual e que os moradores devem aguardar comunicação oficial antes de realizar a ligação à rede.

Natal revisa política de saneamento

Em paralelo aos investimentos, a Prefeitura do Natal iniciou a revisão da Política Municipal de Saneamento Básico. O processo começou no último dia 18 de março, com a participação de representantes da sociedade civil e de conselhos municipais, em encontro realizado no CREA-RN. A atualização da Lei nº 6.880/2019 busca alinhar o município ao novo marco legal do saneamento, que estabelece metas de universalização até 2033.

O secretário de Planejamento, Vagner Araújo, destacou o momento como decisivo para a cidade. Segundo ele, trata-se de uma agenda que há décadas precisa avançar. “Estamos tratando de uma política de infraestrutura que ficou atrasada por muito tempo. O cenário atual mostra a necessidade de atualizar Natal”, afirmou.

A revisão conta com apoio técnico da Funcern e envolve análise jurídica, estudos técnicos e participação popular. A população pode contribuir por meio de consulta pública aberta até o dia 7 de abril. Após essa etapa, o texto final será encaminhado ao Conselho Municipal de Saneamento e, posteriormente, à Câmara Municipal.

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