Frutas - Robson Carvalho

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Alerta Disparada no preço do diesel pressiona agronegócio potiguar

Conflito no exterior eleva custos, acende alerta no campo e reduz margens dos produtores potiguares

por: NOVO Notícias

Publicado 30 de março de 2026 às 15:00

A escalada das tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã já afeta diretamente os custos do agronegócio do Rio Grande do Norte. As altas no preço do diesel, insumo essencial para diversas atividades produtivas, acenderam alerta no setor produtivo potiguar, que enfrenta um novo ciclo de pressão sobre as despesas.

O impacto não é isolado e se espalha por toda a cadeia produtiva, com reflexos sobre transporte, insumos, exportações e, principalmente, na competitividade dos produtos potiguares dentro e fora do país. O presidente do Comitê Executivo de Fruticultura (Coex-RN), Fábio Queiroga, relatou que o setor já percebe impacto na cadeia produtiva. “Muitos dos insumos usados na nossa produção estão atrelados ao petróleo, e já sentimos um aumento importante na composição dos custos da safra”, detalhou.

Ainda segundo ele, o setor demonstra preocupação com as altas no preço do óleo diesel. O cenário instável causado pelo conflito entre Irã e EUA se reflete em reajustes no frete rodoviário, principal modal logístico de transporte da produção da fruticultura até o Terminal Portuário de Natal. “A mesma elevação de tarifas deve atingir o transporte marítimo até os destinos finais dos produtos”, ressaltou Queiroga.

Segundo o presidente da Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN (Faern), José Vieira, o diesel está presente em praticamente todas as etapas da produção rural. “Os produtores potiguares já sentem de forma direta os efeitos da alta do diesel. Trata-se de um insumo essencial, presente desde o preparo do solo, colheita, além da irrigação e do transporte”, explicou.]

Em regiões de forte produção irrigada, como Mossoró, Baraúna e o Vale do Açu, o impacto se torna ainda mais evidente. “O diesel representa uma parcela relevante dos custos variáveis, tanto no acionamento de motobombas quanto na movimentação de insumos e no escoamento da produção”, destacou.

Na pecuária leiteira, especialmente no Agreste e no Seridó, a pressão também já aparece. “O efeito é percebido no transporte do leite e na logística de ração e outros insumos”, acrescentou.

Apesar do cenário de alta, Vieira avalia que não há risco imediato de colapso, mas reforça a necessidade de atenção. “Esse aumento, influenciado pelo cenário internacional, pressiona diretamente os custos de produção e reduz margens, sobretudo em um momento em que muitos produtores já operam com restrições financeiras”, afirmou.

De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o momento exige atenção redobrada. Em entrevista ao Estadão, o diretor técnico da entidade, Bruno Lucchi, resumiu o cenário:
“A preocupação número um é com o diesel, com preços e normalidade de abastecimento”. Ele também destacou que o setor já enfrenta desafios estruturais, como juros elevados e margens apertadas. “O conflito é um fator que vai onerar ainda mais o produtor”, afirmou.

A alta do diesel vai além das operações dentro das propriedades e atinge toda a estrutura de custos do setor. O frete rodoviário, com forte peso na logística do estado, já começa a registrar aumento. “Isso encarece tanto a chegada de insumos, como fertilizantes, ração e embalagens, quanto o escoamento da produção até os mercados consumidores e os portos”, explicou Vieira.

No caso dos fertilizantes, a preocupação é ampliada pela dependência externa. O Brasil depende fortemente de importações, e tensões geopolíticas tendem a elevar custos de transporte marítimo e seguros, com reflexos nos preços internos.

O impacto varia entre os diferentes perfis de produtores. Cadeias mais intensivas em logística e produtores de menor escala, com menor poder de negociação, tendem a ser mais sensíveis ao aumento de custos. É o caso da fruticultura de exportação, da avicultura e da pecuária leiteira.

Apesar da pressão sobre custos, não há, até o momento, registro de desabastecimento generalizado de insumos no estado. Ainda assim, o cenário é de incerteza e exige monitoramento constante. “O principal risco está no encarecimento do transporte e na possibilidade de atrasos pontuais na entrega de insumos, especialmente aqueles dependentes de importação”, afirmou Vieira.

Caso o cenário persista, produtores podem adotar medidas de ajuste. “Podem ocorrer redução no ritmo de investimentos, mudanças no uso de insumos e readequações de escala produtiva”, disse.

Pesca também entra em alerta no RN

O setor pesqueiro potiguar enfrenta um cenário ainda mais sensível. O aumento acumulado recente de cerca de 20% no preço do diesel já impacta diretamente a atividade. Segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Pesca do Rio Grande do Norte (Sindipesca-RN), Arimar França Filho, o combustível é um dos principais componentes de custo.

“Os barcos dependem do óleo diesel para operar, e esse aumento já afeta a produtividade, com impacto direto no faturamento do setor”, afirmou.

Além da alta do combustível, o setor enfrenta outros desafios recentes, como o aumento de tarifas de exportação para os Estados Unidos, o que amplia a pressão sobre a competitividade. Diante desse cenário, a entidade defende medidas emergenciais, como a isenção de impostos sobre o diesel utilizado na atividade pesqueira.