Órgãos de investigação adotam postura cautelosa em negociações de colaboração premiada envolvendo ex-banqueiro investigado. | Foto: Divulgação

Política

Investigação PGR e PF tratam possível delação de Vorcaro com cautela e cobram provas para avançar

Investigadores avaliam que eventual colaboração de Daniel Vorcaro precisa ser acompanhada de documentos e evidências para ter validade nas apurações

por: NOVO Notícias

Publicado 27 de março de 2026 às 12:57

Integrantes da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal (PF) têm adotado uma postura de cautela nas negociações envolvendo uma possível delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela PF no início do mês. A avaliação de investigadores é que qualquer acordo de colaboração precisa ser acompanhado de provas, documentos e elementos verificáveis para avançar.

Segundo apuração divulgada pela CNN, a defesa de Vorcaro iniciou tratativas com a PF, a PGR e o gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O investigado chegou a assinar um termo de confidencialidade, etapa comum em negociações preliminares desse tipo.

De acordo com investigadores ouvidos pela emissora, a disposição de colaborar não é suficiente para garantir um acordo. A avaliação dentro dos órgãos de investigação é que o ex-banqueiro precisa apresentar informações sustentadas por evidências, além de indicar datas, documentos e eventuais conexões com outras pessoas envolvidas nos fatos apurados.

A preocupação é evitar que uma eventual colaboração seja baseada apenas em declarações sem comprovação, o que poderia comprometer a credibilidade das investigações.

Lições de investigações anteriores

Outro ponto mencionado por integrantes da PGR é a necessidade de evitar questionamentos semelhantes aos que ocorreram em delações firmadas durante a Operação Lava Jato, algumas das quais acabaram sendo contestadas ou anuladas por decisões judiciais relacionadas à falta de provas ou irregularidades processuais.

Nos bastidores, investigadores afirmam que a intenção é garantir que qualquer colaboração premiada tenha conteúdo novo e verificável, além do material que já foi reunido pela Polícia Federal ao longo das apurações.

Contexto de outras negociações

Nos últimos dias, outros investigados em casos de grande repercussão também passaram a discutir possíveis acordos de colaboração com autoridades. Entre eles estariam Fabiano Zettel, citado em investigações relacionadas ao chamado caso Master, e o empresário Maurício Camisotti, mencionado em apuração envolvendo o INSS.

Pontos discutidos pela defesa

De acordo com informações divulgadas anteriormente, a defesa de Daniel Vorcaro tenta negociar condições no eventual acordo. Entre os objetivos estaria retirar a acusação de organização criminosa e também afastar a hipótese de que ele seria apontado como líder de um suposto esquema investigado.

Em acordos desse tipo, a legislação prevê que o colaborador apresente informações relevantes sobre a estrutura investigada, o que pode incluir identificação de responsáveis em níveis superiores, caso existam, além de detalhes que contribuam para o avanço das investigações.

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