Casos de Mpox no Brasil: sintomas podem surgir na pele, mucosas e olhos

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Saúde Casos de Mpox no Brasil: sintomas podem surgir na pele, mucosas e olhos

Entre 1º de janeiro e 09 de março deste ano, o Ministério da Saúde confirmou 140 casos da doença viral, além de nove casos prováveis e 539 pessoas com suspeita de terem adquirido a infecção

por: NOVO Notícias

Publicado 15 de março de 2026 às 13:51

Com o aumento dos casos, o vírus Mpox é monitorado de perto pelo Ministério da Saúde. Entre 1º de janeiro e 09 de março deste ano, o órgão confirmou 140 casos da doença viral, além de nove casos prováveis e 539 pessoas com suspeita de terem adquirido a infecção. Os pacientes são de 12 estados brasileiros e do Distrito Federal, sendo que a maioria é de São Paulo.

O Dr. Pedro Antônio Nogueira Filho, oftalmologista e chefe do pronto-socorro do H.Olhos, explica que “o principal sintoma são as erupções ou lesões na pele que podem surgir em qualquer parte do corpo: mãos, pés, tronco, órgãos genitais e boca. Na manifestação ocular, os sinais de alerta são conjuntivite, dor, coceira, sensibilidade à luz, visão turva, inchaço das pálpebras, lesões ou bolhas ao redor dos olhos. O paciente também pode apresentar febre, calafrios, ínguas, fraqueza, dor de cabeça e dor corporal”.

“O tratamento é focado nos sintomas e pode envolver o uso de analgésicos, antitérmicos ou medicamentos antivirais nos quadros mais graves. Para os sintomas oculares, poderão ser indicados colírios lubrificantes, antivirais ou antibióticos, além de compressas frias e úmidas sobre os olhos fechados para reduzir o inchaço. A higienização das pálpebras poderá ser feita com soro fisiológico”, recomenda o médico.

Após o contato com o vírus, os sintomas podem demorar de três a 21 dias para aparecer. O risco de contágio é maior no período entre o surgimento dos sinais da doença e a cicatrização das lesões. Para se proteger é importante evitar o contato direto com o paciente ou materiais contaminados, higienizar sempre as mãos com água e sabão ou álcool gel. Profissionais de saúde e cuidadores devem utilizar máscaras e luvas e, se possível, tomar a vacina contra Mpox disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde para grupos prioritários.

A doença viral é considerada uma zoonose, pois o agente infeccioso pode ser transmitido dos animais para os seres humanos e vice-versa, como também de uma pessoa para a outra. Estudos indicam que o vírus é carregado principalmente por pequenos roedores, como esquilos, sendo que os macacos geralmente são hospedeiros acidentais, assim como os humanos. Para reduzir o estigma em relação aos primatas, a Organização Mundial da Saúde passou a chamar a infecção de Mpox, em vez de Varíola dos Macacos, nome usado anteriormente.

Em caso de suspeita da infecção viral, procure um pronto atendimento, lembrando de utilizar máscara facial e de manter distância de outras pessoas. O Dr. Pedro Antônio Nogueira Filho recomenda ainda “evitar tocar nas feridas a fim de evitar que se espalhem para outras regiões do corpo e somente utilizar medicamentos prescritos pelo médico. É preciso ter extrema cautela com antiinflamatórios não esteróides, corticóides, ácido acetilsalicílico e anticoagulantes, pois podem piorar o quadro inflamatório, levar a hemorragias, entre outras complicações”.

Natal reforça cuidados após primeiro caso de Mpox de 2026

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) Natal, por meio do Departamento de Vigilância em Saúde (DVS), reforça os cuidados após a confirmação de um caso da doença Mpox, causada pelo vírus mpox (MPXV), na capital potiguar. Esse é o primeiro registro da doença no município no ano de 2026, que contabiliza quatro casos notificados, sendo um confirmado, dois suspeitos e um descartado.

O paciente é um homem de 44 anos, residente em Natal, que buscou atendimento médico nos serviços de saúde da capital. O caso foi confirmado no dia 20 de fevereiro e monitorado pela equipe do Departamento de Vigilância em Saúde (DVS). O usuário cumpriu isolamento domiciliar de 15 dias, conforme orientação do protocolo, respondeu bem ao tratamento, sem apresentar novos sintomas, e evoluiu para cura.

Lorena de Souza Araújo, chefe do Setor de Vigilância Epidemiológica, explica que a notificação segue dentro da normalidade para o município e que a população não precisa se preocupar, pois a doença é transmitida por contato próximo e não em larga escala como as enfermidades respiratórias. “Nos últimos anos, desde o surgimento da doença, temos notificações de casos na capital, principalmente neste período pós-férias e carnaval. Mas esse caso notificado segue dentro da normalidade”, disse.

Diagnóstico

A Mpox é uma doença causada pelo vírus Monkeypox, do gênero Orthopoxvirus e da família Poxviridae. Trata-se de uma doença zoonótica viral, cuja transmissão para humanos pode ocorrer por meio do contato com animal ou humano infectado ou com material corporal humano contendo o vírus.

A maioria dos casos apresenta sinais e sintomas leves e moderados, mas os munícipes devem ficar atentos. Caso apresente febre, dor de cabeça, dores no corpo, calafrio, fraqueza ou linfonodos inchados (ínguas), procure uma Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência, principalmente se surgirem erupções cutâneas ou lesões de pele (bolhas ou feridas) que evoluem para crostas.

O diagnóstico da mpox é realizado de forma laboratorial, por teste molecular ou sequenciamento genético solicitados pelo profissional de saúde. As pessoas com suspeita ou confirmação da doença devem permanecer em isolamento até o fim do período de transmissão e não compartilhar objetos pessoais, como toalhas, roupas e outros utensílios.

O município também disponibiliza imunização contra a doença para o público prioritário, como pessoas maiores de 18 anos que convivem com Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV/Aids) e profissionais de saúde que trabalham diretamente em contato com o vírus.

Em Natal, o primeiro caso da Mpox foi identificado em junho de 2022, em um paciente do sexo masculino, de 40 anos, que retornou de uma viagem à Europa. De 2022 até o final de 2025, o município já tinha registrado 100 casos confirmados, 176 casos descartados e nenhum óbito relacionado à doença.

A SMS enfatiza que segue monitorando os casos e adotando todas as medidas necessárias de vigilância e controle, conforme os protocolos sanitários do Ministério da Saúde, com o objetivo de garantir a segurança da população da capital.

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