Recusa do Vaticano expõe resistência internacional à iniciativa dos EUA para gerir o pós-guerra em Gaza. | Foto: Reprodução

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Diplomacia Vaticano diz “não” a conselho de paz criado por Trump para Gaza

Santa Sé afirma que mediação de conflitos internacionais deve ocorrer no âmbito da ONU e não em fóruns liderados por um único país

por: NOVO Notícias

Publicado 18 de fevereiro de 2026 às 11:08

O Vaticano decidiu não participar do chamado “Conselho da Paz”, iniciativa anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tratar de conflitos internacionais, entre eles a guerra na Faixa de Gaza. A recusa ocorre às vésperas da primeira reunião do grupo, marcada para esta quinta-feira (19), em Washington, e reforça o posicionamento da Santa Sé em defesa da mediação multilateral liderada pela Organização das Nações Unidas (ONU).

A decisão foi confirmada pelo cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano e principal responsável pela diplomacia da Santa Sé. Segundo ele, crises internacionais devem ser conduzidas por organismos multilaterais reconhecidos, especialmente a ONU, evitando iniciativas concentradas sob a liderança de um único país.

Criado por Trump, o conselho tem como proposta supervisionar uma administração temporária em Gaza após um cessar-fogo classificado como instável. A pauta inicial do grupo é a reconstrução do território palestino, duramente afetado pela ofensiva militar israelense. O plano, no entanto, passou a ser alvo de críticas por não prever a participação de representantes palestinos nas discussões.

Mesmo com o convite feito ao Papa Leão XIV — o primeiro pontífice de nacionalidade norte-americana —, a Santa Sé optou por manter distância formal da iniciativa. A avaliação interna é de que o formato do conselho não garante equilíbrio diplomático nem legitimidade internacional suficiente para conduzir negociações de alto impacto.

Posição europeia

Além do Vaticano, a Itália e a União Europeia também sinalizaram cautela. Ambos informaram que devem acompanhar os debates apenas na condição de observadores, sem adesão formal ao conselho proposto pelos Estados Unidos.

Desde o início da guerra, o conflito entre Israel e o grupo Hamas tem registrado sucessivas quebras de trégua. O confronto já resultou em dezenas de milhares de mortos, aprofundou a crise humanitária em Gaza e motivou investigações e acusações em organismos internacionais. Israel nega irregularidades e sustenta que atua em legítima defesa.

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