Jefferson Oliveira e Lawrence Medeiros atuam na direção da Agência de Inovação da UFRN - Foto: Cícero Oliveira
A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) atingiu, no segundo semestre de 2025, o marco histórico da centésima carta-patente concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O feito posiciona a UFRN como líder em concessões de patentes entre as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, reforçando sua presença na evolução tecnológica brasileira.
O número alcançado é resultado de um movimento de transformação institucional iniciado há mais de duas décadas, quando ocorreu o primeiro depósito de patente, ainda em 2004. Desde então, a UFRN tem mantido investimentos em pesquisa, estruturado programas de incentivo a parcerias e fortalecido seu ecossistema de inovação.
O professor Aldayr Dantas de Araújo, coordenador do Núcleo de Inovação Tecnológica à época da primeira concessão, em 2014, relembra esse momento: “Foi um marco gigantesco. Em uma área nova, Engenharia Química e Química, conseguimos conduzir o processo de maneira adequada para que lograsse aprovação. Foi um trabalho de esforço muito grande. A equipe que trabalha na Agir é excelente, passou por muitos treinamentos e é muito comprometida. A primeira carta-patente surgiu do pioneirismo na área de Engenharia Química, e hoje vejo o NIT em constante evolução”.
O avanço ganha ainda mais relevância diante do cenário nacional, no qual a concessão de patentes enfrenta desafios como a longa tramitação dos pedidos, a complexidade regulatória e a necessidade de maior conexão entre universidades e mercado.
A centésima patente concedida foi desenvolvida em conjunto pelos pesquisadores Rayanderson Saraiva de Souza, Wilson Acchar, Janaina Anne Mota Melo e Vamberto Monteiro da Silva. Intitulada Argamassa com resíduo do beneficiamento de scheelita, manipueira e aglomerante, a tecnologia transforma passivos ambientais em insumos construtivos de alto desempenho, substituindo dois insumos convencionais da argamassa utilizada na construção civil — a areia e a água — pelo rejeito do beneficiamento da scheelita e pela manipueira, líquido resultante do processamento da mandioca.
Wilson Acchar, professor aposentado do Departamento de Engenharia de Materiais, destaca-se como um dos maiores contribuintes para o alcance desse marco histórico da UFRN, integrando o grupo de pesquisadores com maior número de patentes concedidas. Esse grupo inclui ainda os professores Dulce Maria de Araújo Melo, Uilame Umbelino Gomes, Carlos Alberto Paskocimas e Sibele Pergher, que juntos reúnem mais de 40 concessões de patentes.
A conquista amplia a visibilidade da UFRN nos cenários nacional e internacional de ciência, tecnologia e inovação, sobretudo nas áreas de Energia, Química, Materiais Avançados e Saúde. A produção de tecnologias patenteáveis aumenta a competitividade da Instituição na busca por parcerias voltadas à inovação. “Esse marco é motivo de muito orgulho, pois demonstra nosso compromisso com o desenvolvimento socioeconômico do estado e do país”, ressalta o reitor da UFRN, José Daniel Diniz.
Como unidade de negócios da Universidade, responsável pela gestão da propriedade intelectual, promoção da transferência de tecnologia e articulação com o setor produtivo, a Agência de Inovação (Agir) desempenha papel fundamental na conquista dessas cem cartas-patentes concedidas à Instituição.
Ao longo dos últimos anos, a Agir estruturou fluxos mais eficientes de submissão e acompanhamento de pedidos de patentes e intensificou ações de transferência de tecnologia, aproximando laboratórios e empresas. Lawrence Medeiros, responsável pelo setor de proteção da propriedade intelectual da Agir, destaca o comprometimento da equipe para o alcance desse marco histórico.
“Todos da equipe recebem constante apoio da instituição para se capacitarem e prestarem a melhor assistência possível aos pesquisadores da UFRN. Isso tem se refletido em documentos patentários de qualidade e em assessoria assertiva, favorecendo o desempenho da equipe e da instituição, e posicionando a UFRN como líder em concessões de patentes no Norte, Nordeste e Centro-Oeste”, destaca.
Segundo o diretor da Agir, Jefferson Oliveira, “ter um número elevado de patentes concedidas aumenta a reputação da UFRN e da Agir, pois é um forte indicador de que desenvolvemos tecnologias realmente diferenciadas, com aplicação industrial. Isso amplia a atratividade para empresas interessadas em desenvolver novas tecnologias com a Universidade ou transformar nossas soluções em produtos ou serviços comercializáveis”.
Ainda de acordo com Jefferson, a posição da UFRN no ranking de instituições com maiores concessões de patentes “aumenta as chances de pesquisadores e estudantes criarem startups com capacidade de captar investimentos e alcançar sucesso comercial, gerando novas oportunidades e impacto positivo para a sociedade”.
Dessa forma, a liderança da UFRN nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste reflete a consolidação de um ambiente de inovação construído ao longo dos anos, que hoje projeta o Rio Grande do Norte como polo tecnológico. Ao alcançar a marca de cem cartas-patentes concedidas, a UFRN reafirma seu compromisso com o desenvolvimento científico e tecnológico local e nacional, por meio do fortalecimento da ciência e da transformação social.
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