O STF concentra, nesta terça (30), depoimentos-chave sobre a operação que levou à liquidação do Banco Master e levantou suspeitas sobre o sistema financeiro. | Foto: Michael Melo/Metrópoles
O empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, presta depoimento presencial à Polícia Federal nesta terça-feira (30), no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. A oitiva faz parte da investigação que apura suspeitas de fraudes bilionárias em operações financeiras envolvendo o Master e o Banco de Brasília (BRB).
No mesmo horário, também serão ouvidos o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos. Os três depoimentos estão marcados para as 14h e ocorrem na sede do STF.
As oitivas serão conduzidas por uma delegada da Polícia Federal, com a presença de um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo. Após ouvir os investigados, a Polícia Federal vai avaliar se há necessidade de uma acareação — procedimento usado para confrontar versões divergentes apresentadas durante os depoimentos.
A acareação chegou a ser indicada em decisão anterior do ministro Dias Toffoli, mas a palavra final sobre sua realização ficará a cargo da equipe responsável pelo inquérito.
A investigação tramita sob sigilo no STF desde o fim de novembro. A Polícia Federal identificou indícios de envolvimento de autoridades com foro privilegiado, o que levou o caso diretamente para a Suprema Corte.
O foco da apuração é uma tentativa de venda do Banco Master ao BRB, anunciada em março deste ano. A operação, no entanto, foi barrada pelo Banco Central em setembro após análise técnica.
Dois meses depois, Daniel Vorcaro foi preso preventivamente. Na sequência, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, apontando irregularidades que podem chegar a R$ 12 bilhões.
No centro da investigação estão contratos de crédito consignado. Segundo a apuração, esses contratos teriam sido utilizados como garantia para repasses bilionários do BRB ao Master antes mesmo da conclusão da operação de venda.
As suspeitas surgiram durante a análise técnica conduzida pela diretoria de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central.
O caso também expôs divergências internas no Banco Central. Enquanto um grupo defendia medidas mais rígidas, como uma intervenção imediata, a área de fiscalização — liderada por Ailton de Aquino — buscava alternativas para manter o banco em funcionamento.
Registros do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) mostram que alertas sobre problemas de liquidez e inconsistências contábeis no Banco Master já vinham sendo feitos meses antes da liquidação.
Em despacho recente, o ministro Dias Toffoli ressaltou que a atuação do Banco Central é essencial para esclarecer os fatos. Segundo ele, a oitiva de representantes da autarquia é fundamental para compreender como as operações financeiras foram conduzidas e fiscalizadas.
A investigação busca agora reunir os depoimentos para avançar na apuração de possíveis responsabilidades e esclarecer o impacto das operações no sistema financeiro nacional.
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