Banco Central afirma que colapso do Banco Master foi resultado de falhas estruturais, risco elevado e operações sem lastro comprovado. | Foto: Michael Melo/Metrópoles
Autoridade monetária rebate questionamentos do TCU, lista irregularidades que levaram à liquidação e aponta indícios de gestão fraudulenta
Publicado 30 de dezembro de 2025 às 13:00
O Banco Central enviou ao Tribunal de Contas da União (TCU) um relatório detalhado para justificar a liquidação extrajudicial do Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro. No documento, a autoridade monetária afirma que a intervenção não foi precipitada e aponta uma sequência de falhas graves, além de indícios de novas fraudes investigadas após o fechamento da instituição.
A resposta foi encaminhada na segunda-feira (29), após solicitação do ministro do TCU Jhonatan de Jesus, que pediu esclarecimentos diante de questionamentos sobre a rapidez da decisão, segundo informações do Metrópoles. O ofício é assinado pelos diretores do Banco Central responsáveis pelas áreas de fiscalização e de reorganização do sistema financeiro.
Segundo o BC, a liquidação do Master foi resultado de um processo contínuo de deterioração financeira. A instituição apresentava atrasos recorrentes no envio de documentos obrigatórios, problemas contábeis e perda progressiva de capacidade de gerar caixa.
O relatório destaca que as carteiras de crédito do banco estavam esgotadas e já não produziam fluxo financeiro suficiente para sustentar as operações. Além disso, o conglomerado enfrentava comprometimento da solvência e não conseguia recompor o recolhimento compulsório exigido sobre depósitos a prazo — um dos principais indicadores de saúde financeira de um banco.
Outro ponto sensível envolve operações estruturadas realizadas com clientes do segmento corporativo. De acordo com o Banco Central, essas transações não geraram resultados financeiros relevantes e desrespeitaram princípios básicos de garantia, liquidez e diversificação de riscos.
O BC também aponta irregularidades em operações de cessão de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB). Segundo o documento, parte dessas operações era considerada insubsistente ou lastreada em ativos cuja existência não pôde ser comprovada.
Para a autoridade monetária, a crise de liquidez do Master foi agravada por falhas no gerenciamento do risco de crédito. O relatório menciona ainda insuficiência de capital, prestação de informações incorretas ao regulador e ausência de ativos líquidos em fundos que deveriam garantir operações de longo prazo.
Além das razões que motivaram a liquidação, o Banco Central informou ao TCU que encaminhou, em 25 de novembro de 2025, uma nova comunicação de crime ao Ministério Público Federal. A apuração ocorreu após a intervenção e aponta indícios de gestão fraudulenta, operações simuladas e uso de mecanismos para dar aparência de legalidade a transações sem substância econômica.
De acordo com o BC, as evidências indicam que recursos do Banco Master teriam sido reciclados por meio de uma rede de fundos e empresas interpostas. O objetivo, segundo o relatório, seria mascarar a origem dos valores, mantendo o mesmo beneficiário final, em possível violação às regras de transparência e segregação fiduciária.
Ainda nesta terça-feira (30), Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, prestam depoimento à Polícia Federal. A investigação apura uma suposta fraude de R$ 12 bilhões envolvendo a venda de carteiras de crédito do Master ao banco público.
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