Cotidiano

Comportamento 4 em cada 10 brasileiros não conseguem citar mulheres em posições de poder

Estudo do Estúdio Clarice também indica diferenças de percepção entre homens e mulheres sobre igualdade de oportunidades e aponta barreiras como falta de confiança e padrões de comportamento

por: NOVO Notícias

Publicado 4 de maio de 2026 às 17:30

Quatro em cada dez brasileiros não conseguem citar o nome de uma mulher em posição de poder no país. Dos que conheciam, 10,1% citaram a primeira-dama Janja, 6,1% a ministra Carmem Lúcia (STF), e 4,8% a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Os dados são da pesquisa “Imaginário de Poder das Mulheres Brasileiras”, realizada pelo Estúdio Clarice. O levantamento ouviu 2.036 pessoas em novembro de 2025 e investigou percepções sobre liderança feminina no Brasil.

O estudo investigou a percepção social sobre a autoridade feminina no país. O relatório identifica que trajetórias de homens em cargos de comando são vinculadas a atributos de legitimidade, enquanto mulheres são frequentemente associadas a narrativas de superação.

A pesquisa aponta que setores como política, finanças, tecnologia e esportes permanecem percebidos como territórios predominantemente masculinos. De acordo com o documento, essa dinâmica impacta a avaliação de lideranças femininas e leva muitas profissionais a ajustarem comportamento, imagem e comunicação para sustentar a atuação em seus cargos.

Para Mariana Ribeiro, estrategista de impacto e cofundadora do Estúdio CLARICE, a mulher em posição de poder é vista como exceção e precisa se provar constantemente.  O levantamento articulou dados quantitativos de alcance nacional com 60 entrevistas em profundidade.

Foram ouvidas lideranças femininas de 11 áreas distintas, incluindo política, ciência, ambiente corporativo e cinema. O estudo completo, com análises detalhadas sobre como o Brasil reconhece e projeta o poder das mulheres, será disponibilizado em breve.

A pesquisa aponta ainda diferenças na percepção sobre igualdade de oportunidades entre homens e mulheres. Entre os homens, 68% acreditam que há igualdade de condições independentemente do gênero. Entre as mulheres, esse índice é de 53%.

Quando questionados sobre reconhecimento do espaço feminino, 34% dos homens afirmam que o lugar da mulher já é reconhecido, enquanto entre as mulheres esse percentual cai para 21%.

A pesquisa indica que a falta de confiança é um dos principais obstáculos relatados pelas mulheres. Quase 30% disseram que duvidar da própria capacidade gera sensação de impotência.

Além disso, uma em cada três entrevistadas afirmou que precisa mudar o tom de voz para ser levada a sério e esconder traços da personalidade para se adaptar ao ambiente profissional.

O levantamento também traz um recorte racial. Entre mulheres brancas, 28% disseram modificar a forma de se vestir para evitar julgamentos. Entre mulheres negras, o índice sobe para 39%.

Segundo as organizadoras do estudo, a dificuldade em citar mulheres em posições de poder reflete não apenas a presença reduzida nesses espaços, mas também a forma como a sociedade reconhece liderança feminina.

A pesquisa combina dados quantitativos e qualitativos, incluindo entrevistas com especialistas e mulheres que ocupam cargos de decisão em diferentes áreas, como cultura, comunicação, finanças e meio ambiente.

Em outro levantamento feito pelo Estúdio Clarice, 68% dos homens brasileiros acreditam que pessoas do gênero masculino e feminino possuem as mesmas oportunidades ao longo da vida. Entre as mulheres entrevistadas, o índice de percepção de igualdade cai para 48%.

Os dados detalham que 63% das mulheres afirmam ter voz e espaço para falar o que pensam dentro de casa. No entanto, o percentual de mulheres que sentem possuir o mesmo espaço no ambiente de trabalho é de 34%. A pesquisa classifica o resultado como contraditório, dado que as residências permanecem como o principal cenário de violência de gênero no país.

A investigação também revela barreiras comportamentais. Uma em cada três mulheres declarou que precisa alterar a maneira de falar, controlar o tom de voz e gestos, ocultar a própria personalidade ou vigiar a forma de se vestir para obter melhor aceitação social.

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