A exposição apresenta a união entre as duas linguagens artísticas que acompanham Pedro Pereira: a pintura e a poesia. | Foto: Divulgação
Exposição que será aberta no próximo dia 13, na Pinacoteca do Estado, vai reunir 46 obras produzidas entre 1981 e 2026 e oferece ao público um amplo panorama da trajetória de um dos mais inquietos e atuantes artistas da cultura potiguar
Publicado 8 de junho de 2026 às 17:30
Quarenta e cinco anos dedicados à arte, à experimentação estética e à expressão poética. É a essência da exposição “Unir Verso às Cores”, do artista visual e poeta Pedro Pereira, que será aberta ao público no sábado (13), às 10h, na Pinacoteca do Estado. A mostra reúne 46 obras produzidas entre 1981 e 2026 e oferece ao público um amplo panorama da trajetória de um dos mais inquietos e atuantes artistas da cena cultural potiguar.
A mostra tem produção de Alda Pereira, curadoria do artista visual Pablo Pinheiro e conta com o apoio de instituições e parceiros da iniciativa pública e privada. Os recursos foram viabilizados principalmente por meio de projeto cultural da deputada estadual Divaneide Basílio, com gestão da Funcern, além do apoio do deputado federal Fernando Mineiro e da Elo Cerâmica.
A retrospectiva visual apresenta um percurso afetivo e criativo marcado pela união entre duas linguagens que acompanham Pedro Pereira desde o início de sua carreira: a pintura e a poesia. O título da mostra traduz essa relação. Inspirado por uma reflexão transformada em poema, ele sintetiza a forma como o artista compreende sua produção: “Pinto o que não sei escrever, escrevo o que não sei pintar. Pinto e escrevo o que me faz sonhar”.
Ao longo de sua trajetória, Pedro construiu uma obra caracterizada pela liberdade criativa, pelo diálogo com temas humanos e sociais e pela valorização da sensibilidade como instrumento de transformação. Em “Unir Verso às Cores”, o visitante encontrará um conjunto diverso de trabalhos que evidencia essa multiplicidade de interesses e experimentações.
A exposição reúne pinturas em acrílico e óleo sobre tela, colagens sobre cartolina, fotografias e intervenções artísticas em camisetas de algodão, técnica que se tornou uma das marcas de sua produção a partir do final dos anos 1980. A variedade de suportes e materiais revela um artista em permanente movimento, disposto a explorar novas possibilidades de criação sem abrir mão de sua identidade poética.
A cor ocupa papel central na trajetória de Pedro Pereira. Presente desde suas primeiras experiências artísticas, ela se tornou uma espécie de assinatura estética e emocional de sua obra. Em muitos trabalhos, as cores vibrantes dialogam com temas ligados à memória, à natureza, ao cotidiano e aos sentimentos humanos, estabelecendo uma comunicação direta com o público.
Segundo o artista, a exposição representa também uma oportunidade de compartilhar essa relação íntima com as cores, construída ao longo de décadas de observação, experimentação e amadurecimento artístico. A maior parte das obras estará disponível para aquisição, enquanto algumas peças permanecerão como parte do acervo pessoal do artista, por sua relevância afetiva e histórica.
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A mostra marca ainda o retorno de Pedro Pereira ao circuito das exposições individuais após mais de uma década. Sua última exposição solo aconteceu em 2013, na galeria da Fundação Capitania das Artes, com a mostra “Pedro Pereira: O Jardineiro das Cores”. Agora, o artista retorna com uma seleção que reúne memórias, conquistas, desafios e a maturidade adquirida ao longo de uma vida dedicada à criação.
A trajetória de Pedro Pereira é marcada não apenas pela produção artística, mas também pela capacidade de reinvenção. Em 2002, o artista enfrentou um Acidente Vascular Cerebral (AVC), experiência que transformou profundamente sua relação com a vida e com a arte. Desde então, iniciou uma nova fase criativa, pautada pela resiliência, pela superação e pelo fortalecimento de sua expressão artística.

Em 2026, além de celebrar 45 anos de atividade cultural, Pedro comemora 24 anos dessa nova etapa de sua caminhada, reafirmando a arte como instrumento de resistência, renovação e esperança.
Natural de Passa e Fica, o pintor construiu uma trajetória singular ao unir poesia, artes visuais e ativismo cultural. Participou da chamada Geração Alternativa, movimento ligado à poesia marginal que movimentou a cena cultural natalense nas décadas de 1980 e 1990, e integrou a banda de rock Cabeças Errantes, ampliando sua atuação para diferentes linguagens artísticas.
Sua estreia literária ocorreu em 1981 com a publicação do livro Lutar pela Paz, marco inicial de uma produção poética que atravessa décadas. No final dos anos 1980, inovou ao criar o projeto Arte Camiseta, iniciativa que transformava peças de vestuário em suporte para a expressão artística e promovia oficinas de pintura livre em diversos municípios do Rio Grande do Norte.
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Nas artes visuais, realizou sua primeira exposição de pinturas na Pinacoteca do Estado em 1999, com a mostra Natal Passa e Fica Saudade. Desde então, participou de exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, consolidando uma produção reconhecida pela originalidade e pelo diálogo entre imagem e palavra.
Reconhecido por sua atuação em defesa da cultura, também foi pioneiro na mobilização que instituiu as comemorações do Dia do Artista Plástico em Natal, reafirmando seu compromisso com a valorização dos artistas e o fortalecimento da cena cultural potiguar.
A mostra permanece aberta à visitação pública até 12 de julho, na Pinacoteca do Estado, convidando o público a percorrer 45 anos de uma trajetória artística construída entre versos, cores, sonhos e resistência.
Exposição: Unir Verso às Cores
Artista: Pedro Pereira
Abertura: Sábado ( 13/6)
Horário: 10h (manhã);
Local: Pinacoteca do Estado
Aberta à visitação do público até 12 de julho
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