Sargento Gonçalves, deputado federal do RN pelo PL - Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Cotidiano

Prioridades Único deputado do RN contra MP do Gás do Povo, Sargento Gonçalves já gastou R$ 501 mil em cota parlamentar

Parlamentar do PL teve despesas concentradas em outubro e dezembro, enquanto foi voto isolado do estado contra benefício voltado para famílias de baixa renda

por: NOVO Notícias

Publicado 5 de fevereiro de 2026 às 14:02

O deputado federal Sargento Gonçalves (PL) foi o único representante do Rio Grande do Norte a votar contra a medida provisória que garante botijão de gás gratuito a famílias em situação de vulnerabilidade social. Em 2025, o parlamentar somou R$ 501.658,93 em despesas do mandato, valor 35% superior ao registrado no primeiro ano na Câmara dos Deputados.

Levantamento das despesas mostra forte concentração dos gastos nos meses de outubro e dezembro. Juntos, os dois meses totalizaram cerca de R$ 290 mil, o que representa mais da metade do total gasto ao longo de 2025. Outubro registrou despesas de R$ 144.334,73, enquanto dezembro alcançou R$ 145.643,07, o maior valor mensal do ano.

Segundo os dados da Câmara Federal, Sargento Gonçalves gastou R$ 254 mil com a produção de revistas para “divulgação da atividade parlamentar”. Em outubro foram gastos R$ 128 mil com a aquisição de 40 mil revistas. Já em dezembro, o parlamentar pagou R$ 126,4 mil para um total de 39,5 mil revistas.

No ano de 2023, no primeiro ano de mandato, Sargento Gonçalves havia declarado R$ 369.675,90 em despesas, considerando o período de fevereiro a dezembro. Em 2024, ele gastou R$ 418 mil.

Na votação da medida provisória (1.313/2025) que garante botijão de gás gratuito a famílias em situação de vulnerabilidade, Sargento Gonçalves foi o único parlamentar do Rio Grande do Norte a se posicionar contra a medida. Nem mesmo o colega de partido General Girão (PL) acompanhou o posicionamento do colega de partido.

Apesar do voto contrário de Gonçalves, a Câmara dos Deputados e o Senado aprovaram o projeto de lei, que agora segue para sanção presidencial. A matéria obteve ampla maioria na Câmara (415 votos a favor e 29 contra) e aprovação unânime entre os senadores, consolidando o avanço da proposta de benefícios sociais no Legislativo.

Em entrevistas, o deputado Gonçalves criticou o modelo de assistência, argumentando que o pagamento de auxílios governamentais gera uma dependência do Estado. O parlamentar alegou que o recebimento de benefícios cria uma distorção em relação aos cidadãos que recebem um salário mínimo cumprindo jornadas integrais. “Por isso você, cidadão, hoje procura o ASG, o auxiliar de serviços gerais, um pedreiro, um jardineiro e não encontra, porque de fato as pessoas estão preferindo receber os auxílios dados pelo Estado”, completou.

Segundo dados do Governo Federal, o Rio Grande do Norte reduziu em 8% o número de beneficiários do Bolsa Família, saindo de 511 mil em 2023, quando o programa foi retomado, para os 467 mil de dezembro de 2025. O valor médio do benefício é de R$ 676,68.

Além disso, o Rio Grande do Norte terminou 2025 com o maior número de pessoas empregadas nos últimos 10 anos. De acordo com levantamento do Ministério do Trabalho, um total de 551,9 mil potiguares terminaram o ano passado com a carteira assinada.

Deputado diz que é o mais econômico do RN

Em comentário nas redes sociais, o deputado Sargento Gonçalves se manifestou sobre os gastos com a cota parlamentar. Ele diz ser o que menos usa o recurso dentre os 11 parlamentares (3 senadores e 8 deputados) da bancada potiguar, dizendo ter economizado mais de R$ 1 milhão em três anos de mandato.

Gonçalves completa ainda dizendo fazer uma série de economias, utilizando recursos próprios para gastos que poderiam ser cobertos com recursos públicos, mas não o faz por “uma visão minha sobre zelo com o recurso público”.

“Nos três anos de mandato não uso dinheiro da cota parlamentar para alimentação, sempre pago com recurso próprio; em Brasília, não tenho carro alugado, nem motorista, ando de Uber, pago com recurso próprio; moro em funcional, caso eu quisesse, poderia pegar até R$ 8 Mil Reais de auxílio aluguel; mas optei pelo apartamento funcional, água e luz descontados do meu salário; das viagens que fiz, mesmo em missões oficiais, paguei hospedagem com recurso próprio”, explicou o deputado Sargento Gonçalves.

Ele completa justificando que não condena que opta por utilizar recursos públicos para custear tudo. “Deixando claro que, aqueles que usam, não estão agindo ilegalmente, é apenas uma visão minha sobre zelo com o recurso público. Na medida do possível, economizo. Mas, infelizmente, não dá para desenvolver as funções do mandato, sem recurso”.

Para finalizar, Gonçalves ainda disse que “até hoje, não votei por aumento de salário próprio ou de cota parlamentar. Quando cheguei ao mandato já eram os valores vigentes”, disse o deputado Sargento Gonçalves.

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