Transição energética e neoindustrialização marcam abertura do Brazil Offshore Wind & Power-to-X 2026 em Natal
Evento colocou em debate os desafios da energia eólica offshore, do hidrogênio verde e das tecnologias Power-to-X como instrumentos para uma nova etapa de industrialização sustentável
Publicado 2 de junho de 2026 às 11:04
A transformação da liderança brasileira em energias renováveis em desenvolvimento industrial, geração de empregos e agregação de valor foi o eixo central da abertura do IV Workshop Internacional e II Congresso Brazil Offshore Wind & Power-to-X (BOWPX), realizada nesta segunda-feira (1º), em Natal.
Reunindo representantes do Governo Federal, Governo do Rio Grande do Norte, universidades, setor produtivo, instituições financeiras e especialistas internacionais, o evento colocou em debate os desafios da energia eólica offshore, do hidrogênio verde e das tecnologias Power-to-X como instrumentos para uma nova etapa de industrialização sustentável.
Ao abrir o congresso, o coordenador do evento e líder do Grupo de Pesquisa Creation/UFRN, professor Mario González, defendeu que o país precisa avançar além da geração de eletricidade renovável. “ Estamos diante de uma oportunidade histórica. O Brasil já demonstrou capacidade de gerar energia renovável em larga escala. Agora o desafio é transformar esse potencial em desenvolvimento industrial, emprego, renda e descarbonização.”
A avaliação predominante entre os participantes foi de que o país reúne condições únicas para liderar a nova economia de baixo carbono. Com uma matriz elétrica predominantemente renovável, abundância de recursos eólicos e solares e posição estratégica para exportação, o Nordeste surge como uma das regiões mais competitivas do mundo para a produção de hidrogênio verde, combustíveis sintéticos, fertilizantes verdes e outros produtos de alto valor agregado.
A governadora Fátima Bezerra destacou que o Rio Grande do Norte já ocupa posição de liderança nacional na geração de energia eólica e que o próximo passo é garantir que os benefícios econômicos dessa produção permaneçam nos territórios. “ Não basta produzir energia. Essa energia precisa gerar empregos, renda, industrialização e oportunidades para o nosso povo.”
A governadora lembrou que mais de 95% da matriz elétrica potiguar é formada por fontes limpas e renováveis e apresentou o Porto-Indústria Verde como um dos principais projetos estruturantes para a atração de investimentos ligados à produção de hidrogênio verde, amônia verde, fertilizantes e combustíveis sustentáveis.
A construção das bases regulatórias para a eólica offshore também ocupou espaço central nos debates. A diretora do Departamento de Transição Energética do Ministério de Minas e Energia, Karina Souza, ressaltou que o Brasil está estruturando um modelo baseado em planejamento, diálogo institucional e segurança jurídica para viabilizar os primeiros empreendimentos no mar. “ O setor offshore não está sendo construído sozinho. Estamos trabalhando com universidades, setor privado, órgãos públicos e sociedade para criar bases sólidas para essa nova indústria.”
A dimensão científica da transição energética foi destacada pelo diretor-adjunto do Departamento de Programas de Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Rafael Menezes. “ Não há caminho para o desenvolvimento sustentável que não passe pela transição energética. E não haverá transição energética sem ciência, tecnologia e inovação.”
Entre os participantes, uma das intervenções mais objetivas veio do Banco do Nordeste. O superintendente estadual Jeová de Lins Sá apresentou os números do financiamento ao setor e reforçou o papel da instituição como principal agente financeiro da expansão energética regional. Segundo ele, Em 2025, o Banco do Nordeste destinou R$ 10,75 bilhões para projetos de energias renováveis. Desse total, aproximadamente R$ 1,45 bilhão foi aplicado no Rio Grande do Norte. “ As renováveis serão um dos grandes motores do desenvolvimento do Nordeste. O banco continuará financiando tanto os grandes projetos estruturantes quanto os empreendimentos que fortalecem a economia regional.”
O presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Darlan Santos, chamou atenção para uma mudança de paradigma. Para ele, o Nordeste já venceu a etapa de se apresentar ao país como produtor de energia. O desafio agora é utilizar esse ativo para atrair novas atividades econômicas.
Representando a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN), Etelvino Patrício destacou os esforços da indústria para qualificação profissional e atração de empreendimentos intensivos em consumo energético. Já o Sebrae-RN, representado por Robson Lopes, defendeu a inserção dos pequenos negócios nas cadeias produtivas ligadas às energias renováveis.
O reitor da UFRN, Daniel Diniz, reforçou o papel da universidade na formação de profissionais, na produção científica e na construção de soluções voltadas às energias renováveis, destacando que a instituição tem atuado para aproximar conhecimento acadêmico, inovação e desenvolvimento regional.
Ao longo de três dias, o Brazil Offshore Wind & Power-to-X reúne representantes do Brasil, Dinamarca, Holanda, Bélgica, Reino Unido, Japão, País Basco, Filipinas e Colômbia para discutir regulação, financiamento, infraestrutura, inovação tecnológica, hidrogênio verde, eólica offshore e neoindustrialização sustentável.
Mais do que um debate sobre energia, o evento colocou no centro da discussão uma questão estratégica para o país: como transformar a abundância de recursos renováveis em riqueza, empregos qualificados e desenvolvimento regional de longo prazo.
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