Fiscalização durante operação que resgatou 22 mulheres em situação de exploração | Foto: Reprodução

Cotidiano

Investigação Tráfico humano: esquema com “dívidas e metas” atinge o RN e 22 mulheres são resgatadas em operação interestadual

Operação da PF e Auditoria-Fiscal do Trabalho identifica rede interestadual de exploração sexual com atuação em três estados do Nordeste, incluindo o Rio Grande do Norte

por: NOVO Notícias

Publicado 16 de junho de 2026 às 15:00

Uma operação de combate ao tráfico de pessoas resgatou 22 mulheres em condições análogas à escravidão em estabelecimentos de exploração sexual na Paraíba, Pernambuco e no Rio Grande do Norte, durante ação da Polícia Federal e da Auditoria-Fiscal do Trabalho que investiga um esquema interestadual de exploração com controle por dívidas e metas impostas às vítimas.

A ação integra a Operação Donos da Noite e teve dados consolidados nesta terça-feira (16), após fiscalização realizada na última quarta-feira (10) em diferentes municípios do Nordeste. Ao todo, quatro vítimas foram encontradas em Goiana, em Pernambuco, enquanto outras 18 estavam em cidades da Paraíba, onde se concentrava a maior parte da estrutura investigada.

No Rio Grande do Norte, o município de Nova Cruz também foi alvo da fiscalização. No local, o estabelecimento estava fechado no momento da operação, mas os agentes encontraram cadernos de controle de dívidas, malas e outros indícios de possível atuação do esquema na região.

As investigações apontam que o grupo atuava de forma organizada, com administração centralizada e vínculo familiar entre os responsáveis pelos estabelecimentos.

Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho, o controle das vítimas era mantido por meio de um sistema de endividamento interno, com cobranças por alimentação, produtos de higiene, roupas e outros custos, além de metas de consumo e atividades impostas.

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O descumprimento dessas metas, segundo os relatos colhidos, resultava em multas e ampliação das dívidas, o que restringia a circulação das mulheres e dificultava a saída dos locais.

Também foram identificadas jornadas exaustivas, vigilância constante e relatos de violência e coerção, que seguem sob apuração pelas autoridades.

A fiscalização determinou a interrupção das atividades, o pagamento de direitos trabalhistas e o custeio do retorno das vítimas às cidades de origem. As investigações continuam para identificar outras possíveis vítimas e aprofundar a atuação do grupo no Nordeste.

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