Em pouco mais de um mês, decisões do ministro Dias Toffoli no caso Banco Master acenderam alerta no STF e no Congresso, gerando tensão entre poderes e questionamentos sobre imparcialidade. | Foto: Andressa Anholete/STF
Relator do caso no STF enfrenta críticas por suposta interferência em investigações e vínculos com investigados, enquanto pressão política cresce.
Publicado 25 de janeiro de 2026 às 19:45
Em apenas 45 dias, o inquérito sobre fraudes no Banco Master, conduzido no STF, gerou forte tensão política. O ministro Dias Toffoli, relator do caso, está sob críticas por suposta interferência na Polícia Federal e relações próximas a investigados.
A repercussão aumentou com a venda de participação dos irmãos de Toffoli em resorts no Paraná a fundos ligados a investigados, e pela viagem do ministro em jatinho com advogado do Banco Master para a final da Libertadores, no Peru. Ambos os episódios reforçaram questionamentos sobre imparcialidade.
Parlamentares pedem afastamento do relator, mas o STF ainda não sinalizou medidas. No Senado, pedidos de suspeição e de impeachment permanecem em análise. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, já recebeu quatro representações contra Toffoli, arquivando pelo menos uma.
Decisões do ministro, como sigilo máximo nas investigações, limitação do acesso da CPI do INSS a dados sigilosos, acareações não solicitadas e alternância na autorização de perícia de provas, geraram atritos com a PF e críticas públicas. Novos contratos e negócios envolvendo familiares ampliaram a pressão política.
O presidente do STF, Edson Fachin, antecipou retorno a Brasília para conter desgaste institucional e divulgou nota em defesa de Toffoli. Enquanto isso, protestos e novas representações por suspeição mantêm o relator sob intenso escrutínio, deixando o caso Banco Master no centro do debate sobre ética e imparcialidade no Supremo.
01/12/2025 – Dias Toffoli assume a relatoria do caso após citação do deputado João Carlos Bacelar (PL-BA). Processo sobe do TRF-1 ao STF a pedido da defesa de Daniel Vorcaro.
02/12/2025 – Toffoli impõe sigilo máximo (grau três) às investigações para evitar vazamentos.
07/12/2025 – Vem a público viagem de Toffoli em jatinho com advogado ligado ao Banco Master para a final da Libertadores, no Peru.
12/12/2025 – Ministro impede que a CPI do INSS tenha acesso a dados sigilosos de Daniel Vorcaro, mantendo-os sob guarda do presidente do Senado.
15/12/2025 – Toffoli determina retomada das investigações, com novas oitivas e possibilidade de quebras de sigilo.
24/12/2025 – Ordena acareação entre Vorcaro, ex-presidente do BRB e diretor do BC, sem pedido da PF. PGR tenta suspender, mas Toffoli nega.
27/12/2025 – Banco Central questiona a acareação; Toffoli rejeita recurso e mantém decisão.
29/12/2025 – Ministro recua parcialmente e dá autonomia à PF para decidir sobre a necessidade da acareação.
30/12/2025 – Depoimentos e acareação ocorrem em clima de conflito entre PF e gabinete de Toffoli, com intervenção direta do ministro.
11/01/2026 – Revelada venda de participação milionária de irmãos de Toffoli em resort a fundo ligado a investigados do caso.
14/01/2026 – Toffoli autoriza segunda fase da Operação Compliance Zero, com prisões e buscas. Inicialmente manda lacrar provas apreendidas, depois recua.
15/01/2026 – Novo recuo: PF é autorizada a periciar o material, com peritos escolhidos pelo ministro.
16/01/2026 – Reportagem aponta que cunhado de Vorcaro controlava fundos que compraram a fatia dos irmãos de Toffoli no resort. Depoimentos são remarcados por decisão do ministro.
19/01/2026 – CPI do INSS pede devolução de dados retirados por Toffoli. PGR acumula representações pedindo suspeição do ministro.
20/01/2026 – Presidente do STF, Edson Fachin, antecipa retorno a Brasília para conter desgaste institucional.
21/01/2026 – Cunhada de Toffoli diz desconhecer vínculo do marido com resort ligado ao caso.
22/01/2026 – Gonet arquiva pedido de suspeição; oposição prepara novo. Há protesto contra Toffoli em São Paulo. Fachin divulga nota defendendo o ministro. Reportagem revela uso frequente de resort por seguranças do STF.
23/01/2026 – Procurador de Contas aponta desvio de finalidade em contrato de R$ 200 milhões validado por decisão de Toffoli. Caso já soma seis representações contra o ministro. No mesmo dia, surge informação de que irmãos de Toffoli foram sócios de um segundo resort da rede Tayayá.
Receba notícias em primeira mão pelo Whatsapp
Assine nosso canal no Telegram
Siga o NOVO no Instagram
Siga o NOVO no Twitter
Acompanhe o NOVO no Facebook
Acompanhe o NOVO Notícias no Google Notícias