Editorial da revista britânica The Economist reacende debate sobre idade, sucessão e o futuro político do Brasil às vésperas das eleições de 2026. | Foto: Ricardo Stuckert/PR
A revista britânica The Economist publicou, nesta terça-feira (30), um editorial afirmando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deveria disputar um novo mandato em 2026. O principal argumento apresentado é a idade do chefe do Executivo, que tem 80 anos e, caso seja reeleito, terminaria um eventual quarto mandato aos 85.
Segundo a publicação, candidatos com mais de 80 anos representam “riscos elevados” para a estabilidade política e institucional, mesmo quando são experientes e populares. O texto afirma que, em disputas de longo prazo, a idade se torna um fator decisivo para a condução do governo.
A revista compara Lula ao ex-presidente dos Estados Unidos Joe Biden, que desistiu de concorrer à reeleição após questionamentos sobre suas condições físicas e cognitivas. De acordo com o editorial, Lula é apenas um ano mais novo do que Biden era no mesmo momento do ciclo eleitoral de 2024 nos Estados Unidos, processo que terminou de forma negativa.
O texto destaca ainda que o carisma político do presidente brasileiro não seria suficiente para neutralizar os efeitos naturais do envelhecimento. Para a revista, popularidade não funciona como escudo contra possíveis limitações cognitivas.
A The Economist avalia que o governo Lula atravessou um ano marcado por tensões institucionais e disputas no cenário internacional, incluindo conflitos comerciais com os Estados Unidos. Ainda assim, aponta que a centralização do poder em torno do presidente dificulta a renovação política no Brasil.
O editorial conclui que as eleições de 2026 serão decisivas para o futuro do país e defende que o Brasil avance em um processo de renovação de lideranças políticas.
Além da idade, a revista britânica critica o desempenho econômico do atual governo, classificado como “medíocre”. O texto afirma que uma eventual nova candidatura de Lula também seria impactada por escândalos de corrupção associados aos seus dois primeiros mandatos, episódios que, segundo a publicação, ainda influenciam a percepção de parte do eleitorado.
O editorial também menciona a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro por conspiração para um golpe de Estado. A revista lembra que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alegou falsamente que o caso se tratava de uma armação e chegou a impor tarifas punitivas sobre produtos brasileiros, mas recuou posteriormente.
Mesmo condenado, Bolsonaro ainda mantém apoio relevante, especialmente entre eleitores evangélicos, segundo a análise do periódico.
No campo da direita, a The Economist aponta uma disputa intensa para ocupar o espaço político deixado por Bolsonaro. O texto menciona o senador Flávio Bolsonaro (PL) como possível candidato, mas o descreve como “impopular” e “ineficaz”.
A revista também cita o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), descrito como “ponderado”, “democrata” e consideravelmente mais jovem do que o atual presidente, como um dos nomes que surgem no radar eleitoral.
A publicação defende que o Brasil passe por um processo de renovação política. Destaca que Lula havia sinalizado, durante a campanha de 2022, que não disputaria um quarto mandato, mas observa que não há sinais claros de que o presidente esteja preparando um sucessor no campo da esquerda ou do centro.
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