João Marcelo Arcoverde ressalta que a perda dentária vai muito além da estética - Foto: Divulgação
Odontólogo João Marcelo Arcoverde explica que a perda dentária afeta a autoestima, a nutrição e o convívio social; Mais de 47% dos nordestinos entre 35 e 74 anos necessitam de algum tipo de prótese dentária
Publicado 9 de março de 2026 às 17:00
A mais recente Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil 2023), conduzida pelo Ministério da Saúde e divulgada em 2024, aponta uma mudança significativa no panorama da saúde bucal no país. Entre idosos de 65 a 74 anos, a proporção de brasileiros que perderam todos os dentes naturais caiu de 53,7% em 2010 para 36,2% em 2023 — uma redução de 17,5 pontos percentuais.
Os números revelam avanço importante nas políticas públicas e no acesso aos tratamentos odontológicos. No entanto, o levantamento também expõe desigualdades regionais. As regiões Norte e Nordeste concentram as maiores demandas por reabilitação oral. Mais de 47% dos nordestinos entre 35 e 74 anos ainda necessitam de algum tipo de prótese dentária, enquanto no Sudeste o índice é de 28%.
Com base em estudos sobre a saúde bucal no Rio Grande do Norte (RN), a perda dentária é uma das principais causas de grande dificuldade para mastigar entre adultos e idosos. Embora os números absolutos precisos de “quantos” adultos relatam essa dificuldade no RN não sejam definidos por um único censo recente, pesquisas indicam uma prevalência alta em populações de risco.
O cenário confirma: embora o edentulismo esteja em queda, a necessidade de reabilitação continua elevada — especialmente no Nordeste.
Tecnologia como aliada da reabilitação
Para especialistas, o próximo desafio é ampliar o acesso a soluções definitivas, como os implantes dentários, utilizando tecnologia para tornar os procedimentos mais seguros e previsíveis.
O odontólogo e palestrante João Marcelo Arcoverde explica que a perda dentária vai muito além da estética.
“A perda de dentes impacta diretamente a autoestima, a nutrição e até o convívio social das pessoas. Muitos pacientes deixam de sorrir, evitam certos alimentos e passam a se isolar. A reabilitação devolve função e qualidade de vida”, afirma.
Segundo ele, a odontologia vive um novo momento impulsionado pela digitalização dos procedimentos.
“Com as novas tecnologias digitais conseguimos planejar cirurgias com precisão milimétrica. Isso significa menos cortes, menos trauma cirúrgico e uma recuperação muito mais rápida e confortável para o paciente”, comentou.
Referência em implantodontia no Nordeste, João Marcelo destaca que o implante dentário é hoje considerado uma solução definitiva.
“O implante substitui a raiz do dente perdido. Ele devolve a função mastigatória e a estética com naturalidade. Quando bem indicado e executado, é um tratamento duradouro e altamente previsível”, disse.
Cirurgia guiada e planejamento digital
Um dos avanços mais significativos é a cirurgia guiada através dos implantes sem cortes com bisturi. A técnica permite que todo o procedimento seja planejado virtualmente antes mesmo de o paciente entrar no centro cirúrgico.
Tomografias 3D, escaneamento intraoral e softwares específicos ajudam a mapear a estrutura óssea com exatidão. A partir desse planejamento, é confeccionado um guia cirúrgico feito em uma impressora 3D de alta resolução, que orienta a posição exata do implante.
“Hoje o paciente chega à clínica, faz o escaneamento intraoral e todo o planejamento é feito digitalmente. O guia cirúrgico é impresso e o implante é inserido com extrema precisão. Em muitos casos, o paciente já sai no mesmo dia com o dente provisório instalado”, detalha João Marcelo.
Ele ressalta que a tecnologia também reduz riscos. “A margem de erro diminui drasticamente. O tempo cirúrgico é menor, o pós-operatório é mais tranquilo e a previsibilidade do resultado é muito maior”, ponderou.
Mercado em expansão
O crescimento da tecnologia acompanha a expansão do mercado. Segundo relatório de 2024 da Grand View Research, o setor de implantes dentários movimentou US$ 217,3 milhões no Brasil no último ano e deve alcançar US$ 344 milhões até 2030, com taxa média de crescimento anual de 8,3%.
Para João Marcelo, esse avanço é consequência de dois fatores principais: maior conscientização da população e inovação constante nos materiais e protocolos de segurança.
“Hoje temos implantes nacionais que são referência mundial. Temos protocolos digitais que encurtam etapas e tornam o tratamento mais confortável. A tecnologia deixou de ser luxo e passou a ser ferramenta essencial.”
Impacto social e democratização do acesso
De acordo com projeções da iData Research, a tendência é que até 2030 o número de brasileiros com todos os dentes naturais aumente em até 20%, enquanto o uso de próteses removíveis continue em queda.
A digitalização também tende a impactar os custos. Com maior previsibilidade e otimização do tempo clínico, os procedimentos podem se tornar mais acessíveis.
“Estamos vivendo uma revolução silenciosa na odontologia. A tecnologia 3D já é realidade no Nordeste e tem transformado a experiência do paciente. Não se trata apenas de estética, mas de devolver dignidade, saúde e confiança às pessoas”, conclui João Marcelo Arcoverde.
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